O impeachment do governador do Amazonas

Por Raimundo Holanda

10/05/2020 21h37 — em Bastidores da Política

 

A Assembleia Legislativa do Amazonas reúne nesta terça-feira para formar a comissão que vai decidir se o processo de impeachment aberto contra o governador Wilson Lima e seu vice, Carlos Almeida, vai prosperar. Os partidos devem indicar os membros da comissão e escolher  o presidente e o relator. A próxima fase será votar o relatório pelo arquivamento ou pela continuidade do processo.

Muitos parlamentares com os quais conversei estavam em cima do muro.  Preocupados se uma questão legal - dar seguimento ao impeachment do governador - poderia parecer o que de fato parece: uma luta pelo poder.

E ainda há um outro problema que tira o sono dos  que querem afastar Wilson e Carlos Almeida de uma só tacada. Não há previsão constitucional para o afastamento do vice, a não ser que ele esteja no momento do pedido no exercício efetivo do cargo de governador.

Mas há muitos pontos para ser considerados e que justificam a pressa de alguns parlamentares em mudar a dinâmica do governo, ainda que isso represente  uma ruptura institucional. Um deles é o fato de Wilson Lima ter sido  ausente  por um longo período do seu governo, ter decepcionado um eleitorado ávido por mudanças e que apostou nele; ter avalizado a ação de grupos de interesse que comprometem sua administração e podem comprometer, no futuro, sua vida pessoal e política.

Esse momento é propício, também, para uma reflexão e tomada de atitude pelo  governador. 

.Certamente que os parlamentares não estão  ignorando as centenas de mortes que ocorrem diariamente no Estado do Amazonas,  que vive o pico de uma pandemia de coronavirus. Mas precisam agir com cautela.

Já  é muito ruim para o Poder Legislativo tratar de impeachment em um momento crucial da vida dos amazonenses, quando deveriam estar de corpo presente nos municípios que os elegeram e cuja  população sofre com a pandemia.