Manaus fica sem aeroporto em momento crítico para a economia do Estado
Acontece todo ano. No verão amazônico os rios secam, a economia desaba e comunidades ficam isoladas. Se o fenômeno é cíclico, e de certa forma o homem da região já se adaptou ao vai e vem das águas, o comércio e a indústria buscam a única opção para manter os negócios funcionando: o transporte aéreo. Era a saída até o ano passado, mas o aeroporto Eduardo Gomes entrou em reforma, suspendeu voos durante as manhãs e não tem condições de receber aviões de grande porte.
O resultado é trágico, porque também mexe com o turismo e afeta drasticamente o setor hoteleiro, além de concentrar voos pela parte da tarde, lotando guichês e irritando passageiros.
Entregue a uma empresa privada, o aeroporto passou a ser considerado o pior a oferecer serviços aos usuários no Brasil.
Curiosamente, as entidades do setor industrial e comercial silenciam diante do caos previsível no curto prazo: indústrias paradas por falta de componentes, desabastecimento do comércio e inflação alta devido a falta de produtos.
Na outra ponta, a população, como sempre pagando um preço alto pelo imobilismo daqueles que têm o dever de manter a atividade econômica em alta e, portanto, com capacidade de mobilizar o poder político para impedir a paralisia do Eduardo Gomes, adiando a reforma iniciada em um momento dramaticamente crítico para o Estado do Amazonas.
Mas há um silêncio cúmplice, inexplicável, inclusive da classe política...
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.