Compartilhe este texto

Eleitor só vota mal quando tem que escolher entre o ruim e o péssimo


Por Raimundo de Holanda

31/03/2023 19h30 — em
Bastidores da Política



 

Duas eleições pela frente - uma daqui a 600 dias - para prefeito e vereadores - e outra em 1350 dias - para deputados estaduais, federais, dois senadores, governador e presidente - já dividem os partidos políticos e dificultam a governabilidade.

Eleitos para dar respostas às demandas da sociedade, os políticos começam a criar grupos e formar alianças visando uma eleição ainda distante, colocando o interesse particular acima do interesse público.

Assim, é que se vê aqui e ali lançamentos precoces de recandidaturas a prefeito de Manaus, num momento em que a cidade precisa de união para fazer frente a subida dos rios e as fortes chuvas que destruíram parte de sua infraestrutura.

O interior do Estado, também ameaçado pelo que pode se tornar uma das maiores enchentes dos últimos 20 anos, é alvo de disputas políticas agressivas, enquanto os rios avançam sobre bairros inteiros, sem que as autoridades antecipem um projeto de  contenção para impedir alagações, melhorando a infraestrutura das cidades.

Se nada foi feito para melhorar o Estado do Amazonas nos últimos 50 anos, especialmente no interior, esvaziado pela falta de empregos, piorou a qualidade dos políticos, o que torna o exercício do  voto uma tarefa difícil para o eleitor.

Ao contrário do que  vem sendo dito a cada eleição, não é o eleitor que não sabe votar.  Como os que entram na política não renovam ideias e não aprimoram seus conhecimentos sobre o Estado e o País, o eleitor tem que escolher entre o ruim e o péssimo. Qualquer opção é fatal para perpetuar um atraso que se revela duradouro e difícil de ser rompido.

Siga-nos no

ASSUNTOS: Amazonas, chuvas, eleiçoes 2026, enchentes, Manaus

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.