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E Pedro Florêncio chorou...


Por Raimundo de Holanda

13/01/2017 20h54 — em
Bastidores da Política



Em conversa com o Portal do Holanda, um dia após a matança no Compaj, Pedro Florêncio, então secretário da SEAP, chorou. "Nunca imaginei que minha gestão fosse tão duramente manchada por esse  episódio".

Quem acompanhou a conduta de Florêncio e a aposta que ele fez na ressocialização dos presos, entende a sua frustração.  

 A matança ocorrida na madrugada do dia 1 de janeiro mais do que manchar uma administração, como ele disse,  matou um sonho e a crença de que o homem não é totalmente mau,  que é possivel recuperá-lo. 

As  facilidades concedidas aos presos - receber a familia, passar a  noite com a esposa no Natal e no Ano Novo, festejar a passagem do ano com amigos e familiares dentro do presídio,  acabaram sendo usadas para a matança que escandalizou a todos. 

Florêncio sai triste e frustrado. Mas não será lembrado por essa tragédia,  e sim por ter acreditado que  podia confiar no homem, ou como disse Thiago de Melo,  não "duvidar", confiar "como um menino confia em outro menino".

O menino Florêncio descobriu que a realidade  não é poesia e que o homem pode ser tão cruel que foi capaz de decepar cabeças, abrir toráx de colegas e arrancar seus corações.

Aqui fora Florêncio não teve o coração arrancado, mas extrairam dele a esperança e a fé em outros homens. (RH)

O MAU EXEMPLO DO PADRE

Que a política consegue desencaminhar até os mais respeitáveis cidadãos todo mundo já sabe. Mas um padre?, quem diria.  Pois é, o Padre Carlos Góes, ex-prefeito de Maués, vai ser indiciado pelo delegado da Polícia Civil, Rafael D’Agostini Schmidt por peculato. Trata-se de um pecado que a Santa Madre Igreja jamais admitiria, mas que na política é bem comum. Talvez seguindo a ideia de cair ‘vala comum’, o Padre Carlos resolveu achar normal sair da prefeitura levando alguns ‘pertences’ do município para sua casa como souvenir. Foi denunciado, teve a casa vasculhada pela polícia e vai ser indiciado pelo descaminho. O detalhe: o padre é do PT.

JÁ NO PALANQUE

Enquanto a maioria dos deputados está curtindo as férias do recesso parlamentar, a única representante feminina na Assembleia, Alessandra Campêlo, continua no ‘palanque’ já na pré-campanha para a reeleição. A ex-comunista entrou com representação junto ao MPE pedindo, em caráter de urgência, a volta do pagamento do ticket alimentação pelo governo do Amazonas. Com a medida, Alessandra quer beneficiar 30 mil servidores públicos e, de quebra, faturar muitos votos. 

MAGISTRADOS PASSARÃO POR REVISTA

Segundo o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, o Governo Federal introduzirá “scanner” nos presídios e todas as pessoas, inclusive autoridades de alta patente como advogados, juízes e promotores, terão que ser revistadas pelo equipamento ao adentrarem os presídios.

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 “O equipamento não é algo que fira a dignidade da pessoa. O que custa passar no “scanner”? Todas essas autoridades quando viajam não têm que passar pelo raio-x do aeroporto? Quando vão para o exterior, não têm que passar naquele (equipamento) que põem a mão?”.

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Conforme o ministro, entre as novas medidas rígidas do governo com relação ao sistema prisional, vale destacar o total bloqueio de celulares durante o expediente administrativo dos presídios. “Enquanto está trabalhando, ninguém tem que falar ao celular, deve falar no telefone fixo. Então o bloqueio vai ser integral”, afirmou.

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ASSUNTOS: Manaus, rebeliao, seap

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.