
Quem rouba e quem pede resgate é bandido, mas policiais tem invertido o papel de defender a sociedade para se aliar ao crime organizado. E quando há um considerável grupo de pms envolvidos, inclusive oficiais, é porque há também uma banda podre na Polícia Militar do Amazonas, que não se restringe a esse grupo e que precisa ser identificada e extirpada.
O que não pode subsistir é a suspeita, injusta, que passa a pairar sobre toda uma instituição centenária, que tem bons quadros, gente honrada, consciente de seu papel na sociedade, e que não pode ser colocada no mesmo cesto onde o joio é jogado em meio ao linchamento moral.
As investigações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), que identificou 8 militares envolvidos no roubou de um carregamento de drogas e na fixação de valores para devolvê-lo aos traficantes, revela o submundo do qual se ouvia falar, mas não se conhecia com tantos detalhes: que policiais sabiam de onde vinha a droga, sabiam a rota, sabiam quais eram os lideres do tráfico, sabiam onde a droga era armazenada, sabiam com quem negociar e agiram não como agentes da lei, mas como bandidos.
Roubaram a carga e pediram resgate pela sua devolução. Muito provavelmente não estavam sós em arriscada operação. Esse é um tipo de crime ousado, característico de quadrilha organizada. Envolve a um só tempo conluio com as facções criminosas e traições - como a que ocorreu - e cabeças mais poderosas, de onde saem os planos para operações ao arrepio da lei.
Onde estão ? A questão é se a investigação vai a fundo, se não vem uma ordem maior determinado que a DRCO já foi longe demais…
O tráfico de drogas só cresce, só se expande, domina as áreas mais pobres, cria um estado dentro do estado porque há outros envolvidos, gente poderosa, que não usa rifle, que não está nas prisões e sobre as quais não paira nenhuma suspeita. Ainda…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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