Defender o Brasil, mas com reservas quanto a Moraes
É natural que o governo Lula tente surfar na onda anti-Trump e na ojeriza que o brasileiro tem a intervenções estrangeiras. Mas dizer que "defender o ministro Alexandre Moraes é defender o Brasil", é um grande exagero.
Primeiro, porque Moraes é indefensável. Segundo, porque o que está em jogo é a economia, impactada pela taxação de produtos brasileiros pelos EUA.
Moraes está provando do veneno que ele disseminou. É a lei do retorno e o preço está sendo cobrado agora.
O problema é que ele não aprende. Na sessão de abertura dos trabalhos do STF, semana passada, não se conteve.
Recorreu a adjetivos como “covardes”, “traidores” e “espúrios” para se referir, ainda que indiretamente, a investigados e críticos de sua atuação, se distanciando do dever de reserva e imparcialidade que sustenta a magistratura.
A retórica empregada, marcada por ataques morais, parece mais próxima daquilo que o próprio STF tanto condena — o discurso de ódio — do que da serenidade exigida de quem julga.
É certo que a inclusão de um ministro em sanção internacional gera perplexidade e impõe reflexão. Mas o caminho da democracia é o da contenção e dos ritos legais, não o da retórica inflamada.
ASSUNTOS: Alexandre de Moraes, Lula, STF, Trump
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.