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O corpo é meu, mas é ele quem manda


Por Yasmin Feitosa

27/05/2022 20h09 — em
Amor, sexo e outros prazeres


Foto: Reprodução / Pixabay

Uma das maiores conquistas das mulheres é o poder que elas têm sobre o próprio corpo. Já os homens podem decidir se nasceram para comandar uma casa ou não, optando por serem livres desta responsabilidade. A ideia de que um homem nasceu para casar e procriar e que a mulher nasceu para ter filhos e cuidar do lar e marido, é considerada medieval para a geração atual que é cheia de liberdade. 

Decidir sobre a própria vida, sobre os próprios desejos e planos é algo quase impossível de abrir mão ainda mais para satisfazer alguém. No casamento, por exemplo, existe a lei de "dar e receber", onde o "eu quero" é trocado por "nós". Muitas mulheres fazem planos e realizam o sonho de ter filhos, mas, a quantidade e o momento de parar não é delas. 

Essa é uma questão difícil. Atualmente muitas mulheres decidem cedo que não querem ter filhos e buscam métodos contraceptivos permanentes, outras decidem por uma laqueadura após optarem por "fechar o forninho". Sim, o ser humano tem total liberdade para tomar qualquer decisão para a própria vida. Será que tem mesmo?

Um exemplo disso está na lei nº 9.263 de 1996 que trata sobre o planejamento familiar. As regras para a esterilização voluntária (laqueadura e vasectomia) só são permitidas em situações descritas no Art. 10. Entre elas, ter mais de 25 anos ou, pelo menos, ter dois filhos vivos. E em caso de solicitação, a pessoa é sujeita a aconselhamento para que seja desencorajada a esterilização. Já para casais, o procedimento só é autorizado apenas com a permissão do cônjuge. Mulheres que passaram por muitas cesarianas também podem fazer.

Em março deste ano foi aprovado na Câmara dos Deputados um projeto de lei, de autoria da deputada Carmen Zanotto, que diminui a idade mínima de 25 para 21 para fazer o procedimento, além disso, exclui o consentimento de ambas as partes para a esterilização. Para a autora, "a lei não pode surgir para tutelar e decidir por nós". A proposta também permite a laqueadura logo após o parto. O texto foi enviado para votação no Senado.

O prazer de decidir ter ou não uma família seja ela pequena ou grande está sendo frustrado? Ou seria o caso de olhar mais a fundo? A lei atual também argumenta sobre um possível arrependimento que a pessoa pode ter no futuro, além de uma forma de conter uma esterilização desenfreada. Mas qual o interesse na quantidade? Profissionais de saúde argumentam sobre os riscos e a impossibilidade de reversão do procedimento, o que muitas vezes faz com que as mulheres e os homens mudem de ideia e busquem outros métodos de contracepção.

A diferença para os homens é que a vasectomia é um procedimento simples, feito com anestesia local e é reversível. Entretanto, dependendo do tempo em que passou desde a cirurgia, o procedimento pode implicar na produção de espermatozoides, e, consequentemente, dificultando a gravidez. Muitos homens até se recusam por considerarem "perda da masculinidade", levando a responsabilidade para os ombros de suas esposas.


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ASSUNTOS: Amor, sexo e outros prazeres