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Morava nas ruas

Adolescente vítima de trabalho infantil reencontra irmãs após cinco anos em Manaus

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Foto: Raine Luiz/Sejusc Foto: Raine Luiz/Sejusc
Foto: Raine Luiz/Sejusc

Manaus/AM - Um adolescente de 14 anos reencontrou as irmãs após cinco anos distante em Manaus graças a trabalho realizados pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). Mateus perdeu contanto com a família aos 9 e não sabia o paradeiro de seus parentes. Mas, no final do mês de julho, profissionais que atuam no sistema socioeducativo promoveram um reencontro do adolescente com duas de suas irmãs.

Mateus é natural de Santarém, município do estado do Pará, e ainda criança veio para Manaus com uma tia-avó. No processo, acabou ficando com uma família onde uma usuária de drogas passou a explorá-lo com trabalho infantil. Ele vendia adesivos pelas ruas de Manaus junto com uma de suas irmãs, não frequentava a escola, e todo o dinheiro arrecadado era para sustentar o vício da mulher. Então, passou a morar nas ruas, chegou a ficar em abrigos e perdeu o contato com familiares até entrar no sistema socioeducativo.

O secretário William Abreu, titular da Sejusc, explicou que os profissionais que atuam nas unidades socioeducativas do Estado estão preparados para realizar o resgate do vínculo familiar. Segundo ele, é um trabalho árduo que conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e advogados, que visam o restabelecimento dos laços familiares.

A psicóloga Rosicleide Nascimento Conceição, do Centro Socioeducativo Senador Raimundo Parente, destacou que, durante o trabalho de acolhimento do Mateus, realizaram processos até iniciar a busca ativa do paradeiro da família. A pista que levou até as irmãs surgiu em um dos abrigos por onde ele passou.

Reencontro

As irmãs Franciane, 21, e Francineide, 19, relataram que estão felizes por rever o irmão. Conforme elas, ainda há outros – não sabem totalizar quantos – para serem encontrados, além dos pais. Delas, a que teve maior contato com Mateus, quando eram crianças, foi Franciane. Ela vendia junto com o irmão adesivos pelas ruas de Manaus e também chegou a ser explorada. Hoje, casada e mãe, ela conta como foi receber a ligação da equipe de técnicos do centro socioeducativo sobre o paradeiro de Mateus:

“Não vou mentir, foi um choque porque não sabia se o Mateus estava vivo ou como ele estava. Foi quando foram em casa [a equipe], conversaram com a gente, e falaram que ele estava bem. Ficamos felizes e viemos visitá-lo”, disse Franciane.

Francineide contou que o irmão ficou calado em parte do reencontro, mas que era possível perceber que estava feliz. “Ele falou como era a convivência aqui [centro socioeducativo], o seu dia a dia, que se dava bem com as pessoas e que a psicóloga tomava conta dele”, disse.

Notícias – Mateus é tímido e relembra fragmentos do que passou na infância. A sua forma favorita de se expressar é por meio da escrita, inclusive ele é bastante elogiado pelos profissionais que dão aulas de reforço no Centro Socioeducativo Senador Raimundo Parente e também é um dos destaques no tênis de mesa, o ping-pong.

No dia que reencontrou as irmãs, ele escreveu uma carta em que relatou a sua felicidade e também disse que recebeu uma notícia triste, a perda da sua tia-avó, falecida há dois anos. Em trecho do texto, Mateus escreveu o seguinte: “Eu acredito que eles vão reencontrar toda a minha família. E também agradeço toda a equipe  do centro socioeducativo. Peço que proteja todos que trabalham aqui”, escreveu o adolescente, que sonha em ser um advogado e ter um novo projeto de vida ao lado das irmãs.

+ Amazonas

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