Compartilhe este texto

Toffoli admite ter sido sócio de empresa que negociou com cunhado de Vorcaro

Por Reuters

12/02/2026 12h02 — em
Brasil



Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 12 Fev (Reuters) - O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu nesta quinta-feira ter tido uma participação societária em uma empresa que realizou uma negociação imobiliária com um cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mas negou ter recebido "valores" do presidente da instituição bancária.

Toffoli afirmou, em comunicado divulgado pelo gabinete do magistrado, que a operação imobiliária -- na qual ele recebeu dividendos como cotista e não administrador da empresa -- ocorreu meses antes de ele assumir a relatoria do caso Master no STF.

Na manifestação, o magistrado garantiu que "jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro".

A nota do ministro do STF ocorre um dia após a revelação de que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório que aponta que há menções a Toffoli no telefone celular de Vorcaro, que foi alvo de quebra de sigilo, segundo uma fonte da PF.

    A PF, embora não tenha pedido a suspeição do ministro do STF, informou no relatório que há fatos que apontariam para a suspeição.

Uma fonte que teve conhecimento do teor do relatório detalhou que o documento da PF tem 180 páginas, incluindo menções de conversas de Vorcaro que citam pagamentos para uma empresa ligada a Toffoli, além de menções a convites de festas ao magistrado.

Outra fonte confirmou que a íntegra do relatório foi encaminhada pela PF para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá à PGR avaliar se toma alguma medida sobre a situação envolvendo Toffoli.

RESORT DE LUXO

A atuação de Toffoli na condução do inquérito sobre o Master, que foi alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro do ano passado, ao mesmo tempo em que a PF deflagrou uma operação sobre crimes contra o sistema financeiro, tem sido questionada dentro e fora do Supremo.

A situação do ministro tem sido avaliada pelos pares nos últimos dias, segundo fontes. O presidente do STF, Edson Fachin, conversou na noite de quarta com o decano da corte, Gilmar Mendes, que dias atrás divulgou uma manifestação pública em defesa da atuação de Toffoli.

Em seu comunicado, Toffoli citou que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura, um magistrado pode integrar o "quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador".

Segundo ele, a empresa familiar Maridt era integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. O Tayaya Ribeirão Claro é um resort de luxo localizado no interior de São Paulo.

A participação da Maridt na Tayaya foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025, acrescentou.

"Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado", disse. "Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição", destacou.

    A Arllen, segundo informações divulgadas pela imprensa, era de propriedade do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Na nota que divulgou nesta quinta, Toffoli disse que "desconhece" o gestor da Arllen.

    O ministro do STF afirmou no comunicado ainda que a ação sobre a compra do Master pelo BRB foi distribuída a ele no dia 28 de novembro de 2025. "Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro", ressaltou.

    Na prática, Toffoli indica na nota que não vê motivos para que ele, por conta própria, deixe a relatoria do caso Master.

(Edição de Eduardo Simões e Pedro Fonseca)


Siga-nos no
O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

ASSUNTOS: dias tofolli, Brasil

+ Brasil