Suspeito de criar banco de fachada para agiotar ameaça servidora em áudio: 'Vou te matar'
Íkaro Michel Pessoa, de 35 anos, é apontado pela Polícia Civil do Amazonas como o empresário que teria criado um banco de fachada para dar aparência de legalidade ao esquema de agiotagem desarticulado pela Operação Tormenta.
De acordo com as investigações, ele usava a suposta instituição financeira para conceder empréstimos ilegais a servidores públicos, formalizando contratos fraudulentos de compra de imóveis que eram deixados como garantia das dívidas.
Com o golpe, o grupo teria arrecadado cerca de R$ 10 milhões e feito pelo menos 2 mil vítimas em um esquema conhecido como “Cifra Negra”.
Em áudios obtidos pela polícia, Íkaro aparece ameaçando diretamente algumas vítimas. “Eu vou sequestrar teu filho. Eu vou querer meu valor tudinho, que emprestei (...) Vou fazer escolta lá na frente do Tribunal, vou te pegar e vou metralhar o carro corporativo do Tribunal de Justiça. Vou te matar ainda hoje”, diz um trecho da mensagem enviada a uma servidora.
O delegado Cícero Túlio explicou que os cobradores agiam de forma truculenta, inclusive nas proximidades de órgãos públicos, e que Íkaro seria um dos principais articuladores do esquema, responsável por movimentar valores e coordenar práticas de lavagem de dinheiro.
Além dele, outros homens perigosos também integravam o grupo, incluindo o funcionário de uma igreja e membros de uma facção criminosa. A maioria já possui uma longa ficha criminal.
“Dos nove envolvidos, pelo menos oito já tinham passagens policiais, inclusive o Bruno Luan, que se encontra foragido. Ele já havia sido preso por tentativa de homicídio durante um carnaval, em um bloco na região do Nilton Lins. Naquela oportunidade, eles tentaram matar uma pessoa durante as festividades. Fora isso, outros integrantes dessa quadrilha já respondiam por extorsões, roubos, tráfico de drogas e porte de arma de fogo”, afirmou o delegado.
Essa revelação mostra que o esquema não se limitava a empréstimos com juros abusivos, mas envolvia uma rede organizada que usava empresas de fachada e até um “banco fantasma” para explorar financeiramente e intimidar servidores públicos.
Nove pessoas já foram presas até o momento e outras três estão sendo procuradas. “Já temos conhecimento de que o Gustavo se intitula como soldado de um narcotraficante identificado pelo nome de Sandrinho e outro chamado ‘Cara de Galinha’, contra quem já existe um mandado de prisão. A polícia agora vai intensificar esforços para saturar as áreas de tráfico de drogas ligadas a esses dois narcotraficantes, a fim de localizar Gustavo Albuquerque. O Bruno Luan continua foragido e estaria na cidade de Fortaleza”, acrescentou o delegado.
A polícia também procura por Ismael Geadre. Denúncias podem ser realizadas pelos números (92) 99118-9177, disque-denúncia do 1º DIP; (92) 3667-7575 e 197, da PC-AM; e 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).
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