Agiotas cobravam até 50% de juros e controlavam bens de servidores públicos no Amazonas
Manaus/AM – Elton Campos Cardoso, 34 anos; Íkaro Michel Pessoa, 35; Jackson Josué Farias Carvajal, 33; Paulo Sérgio Ramos Pacheco, 36; Rick dos Santos Brandão, 41; e Wallace Matos dos Santos, 42, foram presos na manhã de quinta-feira (12) durante a Operação Tormenta, deflagrada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
A ação desarticulou um esquema milionário de agiotagem que envolvia práticas de extorsão, ameaças, lavagem de dinheiro e outros crimes no estado. O grupo já fez mais de 2 mil vítimas no Amazonas, mas há muitas outras que temem apresentar denúncias.
"Pelo menos quatro grupos criminosos operavam esse sistema para realizar empréstimos clandestinos, com base em juros exorbitantes. A partir disso conseguimos identificar pelo menos nove pessoas diretamente envolvidas nesse esquema. São empresários que atuam na lavagem de capitais oriundos dessas práticas criminosas, além de outros agiotas que repassavam valores para diferentes grupos e seus cobradores, que realizavam as cobranças de forma truculenta e violenta, inclusive no entorno da sede de órgãos públicos do Estado do Amazonas", explicou o delegado Cícero Túlio.
De acordo com as investigações, o grupo realizava empréstimos clandestinos que ultrapassavam 50% ao mês, tendo como principais alvos servidoras públicas de tribunais. Além das cobranças ilegais, os criminosos se apropriavam de bens das vítimas, como veículos, joias e imóveis, retinham documentos pessoais e cartões bancários e chegavam a controlar aplicativos bancários para subtrair valores diretamente dos salários.
Para ocultar os recursos ilícitos, os investigados utilizavam empresas de fachada. A polícia identificou ainda que eles monitoravam vítimas nas proximidades de órgãos públicos e havia indícios de planejamento de ataques contra veículos oficiais.
"Conseguimos identificar a existência de pelo menos dois grupos empresariais. Muito embora o bloqueio de ativos financeiros tenha atingido diversas outras empresas, pelo menos seis delas foram criadas por esse grupo criminoso para auxiliar na dissimulação de capitais e na lavagem de dinheiro. Um dos empresários atuava no ramo de aluguel de veículos, sendo que pelo menos 10 foram alvo de sequestro de bens deferido pelo Judiciário. O outro empresário teria supostamente aberto uma financeira, um banco, utilizado para conceder empréstimos e realizar contratos fraudulentos de compra de imóveis, que eram deixados como garantias de alguns empréstimos", ressaltou o delegado.
Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, 20 de busca e apreensão e 17 de bloqueio judicial de ativos financeiros. Foram apreendidos 30 veículos, R$ 17 mil em espécie, cinco armas de fogo, centenas de munições, documentos de identidade e CNHs pertencentes às vítimas, além de computadores, celulares e contratos fraudulentos.
"Conseguimos êxito em coletar pelo menos cinco armas de fogo, utilizadas pelo bando para realizar ameaças. Além disso, durante as buscas domiciliares foram apreendidos centenas de documentos de vítimas que ficavam em posse dos agiotas para facilitar a cobrança, bem como comprovantes de endereço indicando onde essas pessoas poderiam ser encontradas. Diversos cartões de crédito e cartões do Bolsa Família também eram retidos, junto com as respectivas senhas, para que os criminosos retirassem valores diretamente como se fossem os beneficiários", acrescentou o delegado.
Os envolvidos poderão responder por associação criminosa, usura, extorsão, roubo majorado, falsidade ideológica, porte e posse de arma de fogo de uso restrito, falsa identidade e lavagem de capitais. Todos passarão por audiência de custódia e permanecerão à disposição da Justiça.
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