Cinco opositores venezuelanos que passaram mais de 400 dias abrigados na embaixada da Argentina em Caracas afirmaram neste sábado (24) que a operação de resgate que os retirou do local foi uma das mais espetaculares da história. Em coletiva de imprensa em Washington, os ativistas — aliados da opositora María Corina Machado — relataram que a ação, coordenada pelos Estados Unidos, foi realizada sem a participação do governo venezuelano e de forma silenciosa.
Os opositores Magalli Meda, Pedro Urruchurtu, Claudia Macero, Humberto Villalobos e Omar González buscaram asilo na embaixada em março de 2024, após uma onda de prisões que antecederam as eleições venezuelanas. Na ocasião, o presidente Nicolás Maduro foi reeleito para um terceiro mandato em um pleito amplamente contestado por fraudes. Um sexto ativista, Fernando Martínez Mottola, se entregou às autoridades no fim de 2024 e faleceu em fevereiro deste ano por problemas de saúde.
Segundo González, o regime pretendia eliminar fisicamente os asilados, e os últimos dias antes da fuga foram marcados por tensão. Ele afirma que o governo de Maduro planejava simular um desaparecimento, mas a operação liderada por diplomatas americanos ocorreu de maneira precisa, sem confrontos. “Eles não fazem ideia de como conseguimos sair”, afirmou, destacando que o plano permanece em sigilo por questões de segurança.
Os ativistas criticaram a atuação da comunidade internacional, especialmente países como México, Colômbia e Brasil, por apostarem em soluções diplomáticas convencionais, consideradas ineficazes diante de um regime autoritário. Em contrapartida, agradeceram aos EUA, Argentina e alguns setores do Brasil pelo apoio. Eles também cobraram ação mais firme de organismos como o Tribunal Penal Internacional, que ainda não emitiu mandado de prisão contra Maduro.
Ao final da coletiva, os opositores reforçaram a necessidade de pressão externa sobre o regime e destacaram que sua fuga é uma prova de que a liberdade é possível. “Sobrevivemos porque nos mantivemos unidos e com dignidade”, disse Magalli Meda. O grupo defende que empresas como a Chevron deixem de operar no país, pois os lucros, segundo eles, financiam a repressão e a corrupção dentro do governo venezuelano.



