Trump queria que Argentina invadisse o Chile para ter acesso ao Pacífico, revela Macri
O ex-presidente da Argentina, Mauricio Macri, revelou neste sábado (24), durante evento em Madri, uma declaração polêmica atribuída a Donald Trump. Segundo ele, o presidente dos Estados Unidos sugeriu em 2018 que a Argentina deveria conquistar o Chile para obter acesso ao Oceano Pacífico. O comentário teria sido feito durante a cúpula do G20 em Buenos Aires, quando ambos ainda estavam no poder.
A declaração, feita em tom de anedota, foi compartilhada por Macri durante sua participação no Fórum do Grupo Democracia e Liberdade, que reuniu lideranças conservadoras da América Latina e da Europa. Macri relatou que Trump viu um mapa da Argentina em seu gabinete e perguntou sobre uma faixa lateral — o Chile — sugerindo então a conquista do país vizinho como forma de acesso estratégico ao Pacífico. "Todo mundo riu ali", contou Macri, mas ponderou que, conhecendo Trump, o comentário poderia ter sido parcialmente sério.
A fala, embora tratada de forma descontraída, lança luz sobre a postura expansionista de Trump, que, segundo Macri, já manifestava ideias similares. O republicano já demonstrou interesse em anexar o Canadá, controlar novamente o Canal do Panamá e adquirir a Groenlândia — iniciativas que reforçam uma retórica agressiva em relação à política externa dos EUA.
Macri, que sofreu recentemente uma derrota eleitoral em Buenos Aires, aproveitou o encontro em Madri para se reposicionar politicamente, agora em meio ao fortalecimento de Javier Milei como principal figura da direita argentina. A viagem à Espanha ocorreu poucas horas após o pleito, indicando também uma aproximação estratégica com aliados conservadores europeus.
As declarações do ex-presidente argentino reacendem o debate sobre o estilo diplomático de Trump e suas implicações geopolíticas. Apesar de inusitada, a sugestão feita a Macri reflete uma visão de mundo onde fronteiras e alianças podem ser rediscutidas sob interesses econômicos e estratégicos — uma abordagem que tem marcado a trajetória política do republicano nos últimos anos.
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