O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou na quinta-feira (22) o chamado “Conselho da Paz”, iniciativa voltada à manutenção da paz e à reconstrução da Faixa de Gaza, com possibilidade de atuação em outros conflitos internacionais. Cerca de 60 países foram convidados a integrar o grupo; até o momento, ao menos 23 aceitaram o convite, enquanto seis nações anunciaram oficialmente a recusa.
Desde o anúncio, a proposta tem gerado críticas no meio diplomático. De acordo com o estatuto do conselho, obtido pela agência Reuters, Trump teria mandato vitalício como presidente do órgão, e países interessados em assentos permanentes precisariam pagar US$ 1 bilhão. Diplomatas avaliam que o modelo pode enfraquecer a Organização das Nações Unidas (ONU) e o sistema multilateral.
Países mais alinhados ao governo americano, como Argentina e Israel, estiveram entre os primeiros a aderir à iniciativa. Em contrapartida, nações europeias como Espanha e Alemanha rejeitaram o convite, alegando preocupação com a legitimidade e os impactos do novo organismo internacional. O Canadá teve o convite cancelado após divergências políticas com Trump.
O Brasil ainda não respondeu formalmente à proposta. Segundo apuração do g1, o governo brasileiro não tem pressa para tomar uma decisão e deve, inicialmente, solicitar esclarecimentos técnicos sobre possíveis brechas jurídicas do estatuto do conselho antes de qualquer posicionamento definitivo.
Nesta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a iniciativa de Trump e afirmou que a Carta da ONU está sendo “rasgada”. Para o governo brasileiro, o debate em torno do Conselho da Paz pode ser usado como argumento para defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, com ampliação da participação de países em desenvolvimento.

