Aristides de Sousa Mendes, o ‘Schindler português’, é agora homenageado no panteão nacional

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

22/10/2021 8h07 — em Mundo

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - O diplomata Aristides de Sousa Mendes (1885-1954), internacionalmente conhecido como “Schindler português” por conta de seu auxílio à comunidade judaica que fugia da Alemanha nazista, faz parte agora do panteão nacional de Portugal.

Uma grande cerimônia, na última terça-feira (19), marcou a entrada de Sousa Mendes na lista das personalidades homenageadas no monumento, que celebra os principais personagens da história portuguesa.

Cônsul de Portugal na França em 1940, Aristides de Sousa Mendes desafiou as ordens do ditador António de Oliveira Salazar e emitiu milhares de vistos para judeus que tentavam escapar da perseguição nazista.

Embora Portugal tenha se mantido oficialmente neutro durante a Segunda Guerra Mundial, a ditadura do Estado Novo optou por não auxiliar no resgate dos grupos perseguidos por Adolf Hitler.

Em novembro de 1939, o ministério dos Negócios Estrangeiros de Salazar emitiu a famigerada circular 14, enviada às repartições diplomáticas lusas, que na prática inviabilizava a concessão de vistos para refugiados judeus. Aristides de Sousa Mendes escolheu deliberadamente desrespeitar essas ordens.

A desobediência civil do cônsul salvou milhares de vidas, mas teve um grande custo pessoal. Punido por Salazar e expulso da carreira diplomática, ele acabaria por morrer na miséria.

Com a redemocratização de Portugal, o reconhecimento das ações de Sousa Mendes para salvar milhares de vidas é cada vez maior por parte do Estado. A cerimônia de homenagem no Panteão contou com a presença das principais figuras políticas do país e foi transmitida ao vivo na televisão.

O presidente luso, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que Portugal agora se curva diante da personalidade moral do diplomata.

“[Aristides de Sousa Mendes] Mudou a história de Portugal nesse momento trágico chamado genocídio em plena guerra mundial. Porque de genocídio se tratava, já na perseguição de comunidades, que haveria de acabar em Holocausto”, completou.

Por decisão da família, os restos mortais do antigo cônsul permanecerão em sua cidade natal, Cabanas de Viriato, no centro de Portugal. No Panteão nacional passa a figurar uma placa em homenagem a Sousa Mendes.


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