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Washington Post, de Jeff Bezos, demite funcionários e reduz a cobertura jornalística

Por Reuters

04/02/2026 16h24 — em
Geral



Por Helen Coster e Jaspreet Singh

4 Fev (Reuters) - O Washington Post, de propriedade do fundador da Amazon.com Jeff Bezos, iniciou nesta quarta-feira uma série de demissões em massa que reduzirá drasticamente o tamanho do renomado jornal e afetará todos os departamentos, de acordo com uma gravação de uma teleconferência com toda a empresa compartilhada com a Reuters.

Os cortes afetarão um terço de todos os funcionários do jornal fundado em 1877, segundo um porta-voz do Post. A redação irá perder “centenas” de jornalistas, de acordo com o sindicato Washington-Baltimore News Guild, que representa os funcionários do Post.

O editor executivo Matt Murray informou a equipe sobre as reduções, que afetarão as editorias de esportes, internacional e metropolitana, e ocorrem poucos dias depois que o jornal reduziu sua cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 em meio a perdas financeiras crescentes.

“Por muito tempo, operamos com uma estrutura muito enraizada nos dias em que éramos um jornal local quase monopolista”, disse Murray na teleconferência, acrescentando que “precisamos de um novo caminho a seguir e de uma base mais sólida”.

O Washington Post está passando por mudanças dolorosas em termos de leitores e receita. Outros grandes jornais diários, como o Los Angeles Times, também estão enfrentando dificuldades à medida que os consumidores passam a usar as redes sociais como principal fonte de notícias.

Um repórter do Post, falando sob condição de anonimato, chamou as demissões em massa recém-anunciadas de “banho de sangue”.

Entre os jornalistas afetados estão a repórter especializada na cobertura da Amazon Caroline O'Donovan, a chefe do escritório do Cairo, Claire Parker, e o restante dos correspondentes e editores do jornal no Oriente Médio, de acordo com posts de O'Donovan e Parker na rede social X.

“O Washington Post está tomando hoje uma série de medidas difíceis, mas decisivas para o nosso futuro, no que equivale a uma reestruturação significativa em toda a empresa”, disse o Post em um comunicado. “Essas medidas têm como objetivo fortalecer nossa posição e aprimorar nosso foco em oferecer o jornalismo diferenciado que distingue o Post e, mais importante, envolve nossos clientes.”

Bezos comprou o jornal em 2013 por US$250 milhões da família Graham.

TODOS OS DEPARTAMENTOS SÃO AFETADOS

Os veículos de comunicação têm lutado há anos para manter um modelo de negócios sustentável depois que a internet virou o jornalismo de cabeça para baixo.

No ano passado, o Washington Post fez mudanças em várias funções comerciais e anunciou cortes de pessoal, afirmando na época que as reduções não afetariam sua redação. O jornal ofereceu pacotes de demissão voluntária a funcionários de todas as funções em 2023, em meio a perdas de US$100 milhões.

Sua circulação média diária paga em 2025 foi de 97.000, com cerca de 160.000 aos domingos, representando um declínio acentuado em relação à sua circulação média diária de 250.000 em 2020, de acordo com dados da Alliance for Audited Media.

“Se Jeff Bezos não está mais disposto a investir na missão que definiu este jornal por gerações e servir aos milhões que dependem do jornalismo do Post, então o Post merece um administrador que o faça”, disse o Washington Post Guild, outro sindicato que representa os funcionários do Post, na rede social X.

A equipe do Post na Casa Branca disse em uma carta a Bezos na semana passada que sua cobertura de maior impacto depende muito da colaboração com equipes sob risco de cortes de pessoal e que uma redação diversificada é essencial quando o jornal enfrenta desafios financeiros.

Murray disse na teleconferência de quarta-feira que todos os departamentos do Post serão afetados pelos cortes.

“Política e governo continuarão sendo nossa maior editoria e permanecerão centrais para nosso engajamento e crescimento de assinantes”, disse Murray.

Bezos disse na época em que comprou o Post que preservaria sua tradição jornalística e não lideraria suas operações diárias. Mas “haverá, é claro, mudanças” nos próximos anos, acrescentou Bezos.

Don Graham, editor do jornal entre 1979 e 2000 e filho da falecida e lendária editora do Post Katharine Graham, publicou no Facebook sobre as demissões em massa.

“Estou triste por tantos repórteres e editores excelentes — e velhos amigos -- estarem perdendo seus empregos. Minha primeira preocupação é com eles; farei tudo o que puder para ajudar. Terei que aprender uma nova maneira de ler o jornal, já que começava com a página de esportes desde o final da década de 1940”, disse Graham.

(Reportagem de Helen Coster, em Nova York, e Jaspreet Singh e Kritika Lamba, em Bengaluru)


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