Em entrevista polêmica, Lima Duarte critica TV Globo. "Acho que estão esperando que eu morra".

Por Portal do Holanda

19/10/2014 14h02 — em Famosos & TV

Foto: Agnews

Aos 84 anos, com 59 novelas e mais de 30 filmes no currículo, Lima Duarte vive sozinho e, seu sítio no interior de São Paulo. O veterano, que anda afastado da televisão desde "Araguaia" (2010), tem contrato com a TV Globo até 2015 mas tem futuro incerto quanto à sua carreira, e afirmou que anda reflexivo "Tudo que faço agora dá impressão que é a última coisa que vou fazer na vida"

O ator que se autointitula "chato" e "difícil de conviver", deu uma entrevista polêmica para o UOL, confira aqui alguns trechos."É muito difícil para eu trabalhar. Acho que os diretores e autores têm muito medo de mim, porque sei muita coisa. Vi muita coisa, fiz muita coisa. Quando estou dentro do estúdio, fico fingindo que não sei".

Durante este tempo, Lima foi convidado para as novelas "Salve Jorge", de Glória Perez, "Meu Pedacinho de Chão", de Benedito Ruy Barbosa, e "Boogie Oogie", de Rui Vilhena. Chegou a experimentar o figurino do personagem Coronel Êpa [interpretado por Osmar Prado], mas que sua participação foi vetada pelo autor antes da estreia. "Eu não disse não para 'Meu Pedacinho'. 'Pedacinho' que me disse não."

O ator quase participa de Boogie Oogie porque poderia contracenar com Regina Duarte, mas logo que viu que a atriz não aceitou o papel, também desistiu do convite "Só faria sentido fazer essa novela se fosse com ela [Regina]. Tudo que faço agora dá impressão que é a última coisa que vou fazer na vida, então quero que seja algo especial. Não vou fazer o galã da Isis Valverde [no ar em 'Boogie Oogie'], da Bruna Marquezine. Não dá", reflete. E dispara: "Galã não existe, se faz. Falta energia nos novos atores, tem muito ator novo que é ignorante".


Paulo Betti como Teo Pereira, em 'Império'.

Crítico, Lima ainda afirmou que não acompanha as telenovelas, mas costuma acompanhar a programação televisiva para matar a saudade dos colegas: "Assisto a televisão só para ver os colegas, mas não acompanho novelas. Esses dias vi que o Paulo Betti está fazendo um gay [Téo Pereira de 'Império'], mas achei horrível. O gay já é uma imitação da mulher, aí o papel do Betti é a caricatura da caricatura", opinou o ator, que revelou a vontade de interpretar um homossexual nas telinhas. "Faria um velho homossexual, usaria um anelão assim no dedo", explica.

Ele, que atualmente conta com regalias como poder escolher seu papel e voar duas vezes ao ano sem pagar por passagens aéreas, sabe que o contrato vai até 2015 e falou sobre o seu futuro incerto na emissora: "Tenho 43 anos de casa e muitas coisas mudaram lá dentro. Para dizer a verdade, nem sei qual é minha posição dentro da Globo. Acho que eles não sabem que faço parte do elenco. Eles são ótimos do ponto de vista profissional. Me pagam bem, até mais do que mereço, gostam muito de mim... Mas outro dia fiquei deprimido ao saber que chamaram vários atores para conversar, Juca de Oliveira, Antônio Fagundes, mas não chamaram a mim. Mas no hate feelings [sem sentimento de ódio, em tradução livre]"

Mas o veterano logo quis mudar de assunto e contou foi convidado para gravar quatro filmes no próximo ano – em 2015, estreia "Deserto", dirigido por Guilherme Weber e filmado no início do ano na Paraíba.


Pouco antes de renovar seu contrato com a Globo, há cerca de três anos, ele pediu para deixar de ser funcionário  "Eles quiseram renovar por mais quatro anos, acho que estão esperando que eu morra neste período", soltou. Antes da entrevista, o ator tinha acabado de ralizar um check-up "Sou muito saudável, felizmente".

Solteiro depois de cinco casamentos, o ator tem quatro filhos – Debora, Monica, Julia e Pedro –, cinco netos e quatro bisnetos e prefere viver sozinho em seu sítio no interior de São Paulo. "Tenho uma vida simples. O que ganho é para os filhos, afinal vai ficar tudo para eles." Amigos são "uma coisa complicada". "Meus amigos eram os camareiros, os contrarregras", contou. Avesso à tecnologia, que define como "ditadura dos botões", dedica o tempo livre a ouvir música, ler, caminhar na mata, beber vinho, viajar – França e Holanda são os lugares preferidos – e assistir a filmes.

Quanto a sua atuação, ele mesmo escolhe o personagem preferido, Getúlio, no fulme "Sargento Getúlio" (1982) "É a melhor coisa que eu fiz de longe, disparado. Uma compreensão tão exata do personagem, um olhar profundo sobre o ser humano. É muito difícil encontrar isso no cinema brasileiro, modéstia à parte" e contou o ideal para o futuro papel "Talvez tenha ficado mais exigente.  Quero fazer coisas que sejam para mim, não quero forçar a mão, ficar fazendo gracinha. Sou um ator visceral, apaixonado, delirante. Onde eu puder aplicar as vísceras, vou gostar de trabalhar", disse Lima Duarte

Lima Duarte criticou da ausência de papéis para idosos nos folhetins, além da insistência em mostrar pessoas mais velhas de forma cômica  "A velhice é uma barra, uma devastação mesmo. Esses filminhos americanos mostram velhinhos como engraçadinhos, mas a melhor idade é execrável. É o fim da vida. Tem que dar um enfoque legal da velhice. Tem que falar da velhice com amor, ternura e não como engraçadinho".

De testamento pronto, o ator parece não temer a morte ao olhar para um quadro exposto em sua sala, que reúne globais como Ary Fontoura, Carlos Eduardo Bouças Dolabella (morto em 2003), Bibi Vogel, Jô Soares e Francisco Cuoco. "Essa foto é de quando gravamos a primeira vinheta do especial de fim de ano da Globo. Difícil é contar os mortos".

*Fonte Uol.