PF cita Gusttavo Lima e Valdemiro Santiago em investigação que apura lavagem de dinheiro do PCC
A Operação Mafiusi, que desmantelou uma rede de tráfico internacional de drogas entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana, agora foca em operações suspeitas de lavagem de dinheiro. Com base em informações de um delator, a Polícia Federal (PF) rastreou transações financeiras que passaram pelo sistema bancário em contas de pessoas jurídicas vinculadas à facção criminosa. Nomes de figuras públicas como o cantor Gusttavo Lima, o pastor Valdemiro Santiago e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho surgiram durante a investigação. Apesar de não terem sido indiciados, todos deverão ser chamados para depor sobre transações realizadas com indivíduos envolvidos em um "sistema financeiro paralelo" ligado ao crime organizado.
De acordo com relatórios da PF, as transações indicam que essas figuras públicas podem ter se envolvido, sem saber, com atividades de lavagem de dinheiro por meio de empresas usadas pela facção. Gusttavo Lima, cotado para ser candidato a vice-presidente em uma chapa com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que sua transação está relacionada à compra legal de uma aeronave, negando qualquer irregularidade. Já Valdemiro Santiago e Adilson Filho não se manifestaram sobre as acusações. A operação, que na semana passada levou à denúncia de 14 pessoas por envolvimento com o tráfico, busca desmantelar os esquemas financeiros usados pela facção criminosa.
O empresário Willian Barile Agati, conhecido como o "concierge do PCC", é um dos principais acusados na operação. Agati é apontado como o responsável por gerenciar as transações financeiras milionárias da facção, sendo preso desde janeiro. Sua defesa alega que ele é inocente e mantém que se trata de um empresário legítimo e idôneo. A Operação Mafiusi, que ocorre sob a tutela da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, compartilha semelhanças com a Operação Lava Jato, com investigações baseadas em informações de um delator. O delegado responsável pela investigação, Eduardo Verza, destacou que a organização criminosa utiliza técnicas sofisticadas para ocultar a origem ilícita dos recursos, envolvendo tanto empresas quanto pessoas físicas no esquema de lavagem de dinheiro.
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