Governo suspende projeto de escaneamento de íris no Brasil após polêmica
O governo brasileiro suspendeu o registro de dados da íris no país, projeto liderado pela empresa Tools for Humanity (TfH), que oferece criptomoedas em troca do cadastro biométrico. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou uma medida preventiva contra a empresa, proibindo a compensação financeira pela coleta de biometria ocular. A TfH, responsável pela rede World, afirmou estar em conformidade com as leis brasileiras e negou a realização de atividades irregulares.
A ANPD justificou a suspensão com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), alegando que a oferta de pagamento pode prejudicar o consentimento livre e informado dos indivíduos, especialmente em situações de vulnerabilidade. A empresa oferece a criptomoeda Worldcoin como recompensa pelo registro, com valores variando de R$ 320 a mais de R$ 600, dependendo do tempo de uso do aplicativo. O regulador também questionou a impossibilidade de excluir os dados coletados, o que viola o direito à revogação do consentimento.
A rede World começou a operar no Brasil em novembro de 2024, com pontos de coleta em São Paulo. Até o momento, mais de 400 mil brasileiros realizaram o cadastro. A ANPD investiga o uso desses dados para criar uma "World ID", uma identidade digital que visa autenticar a humanidade única dos indivíduos em meio ao avanço da inteligência artificial. Além do Brasil, a iniciativa enfrenta restrições em outros países da Europa, com a Alemanha já tendo proibido a coleta de dados.
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