Ambientalistas vão buscar Justiça contra petróleo na Foz do Amazonas
Ambientalistas e cientistas anunciaram que vão recorrer à Justiça contra a licença concedida pelo Ibama que autoriza a Petrobras a perfurar poços para pesquisa exploratória de petróleo na Foz do Amazonas. O grupo, formado por ONGs e movimentos sociais, afirma que o processo tem falhas técnicas e viola normas ambientais. Eles alertam que a decisão compromete a imagem do Brasil na COP30, que será realizada em Belém, e enfraquece o compromisso do país com a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
O Ibama, por sua vez, afirmou que a liberação ocorreu após um “rigoroso processo de licenciamento ambiental”, que envolveu audiências públicas, reuniões técnicas e vistorias. A Petrobras comemorou a autorização e classificou a conquista como um avanço para o desenvolvimento nacional, destacando que a perfuração inicial — prevista para começar imediatamente — terá duração de cinco meses e servirá apenas para estudos geológicos, sem produção de petróleo nessa fase.
Entre os críticos, a coordenadora do Observatório do Clima, Suely Araújo, afirmou que a medida “enterra a pretensão de Lula de ser líder climático”, enquanto o cientista Carlos Nobre alertou que “não há justificativa para novas explorações de petróleo” diante da crise climática. Já o físico Paulo Artaxo defendeu que o Brasil deveria investir em energias solar e eólica, em vez de ampliar fronteiras de exploração fóssil. Outras entidades, como Greenpeace, Instituto Arayara e Instituto Talanoa, também condenaram a decisão, chamando-a de política e contrária ao Acordo de Paris.
O governo, no entanto, mantém a posição de que a exploração pode trazer ganhos econômicos e energéticos. Lula afirmou recentemente que “o mundo ainda não está preparado para viver sem o petróleo”, mas garantiu que o país atuará para evitar danos ambientais. A ministra Marina Silva reconheceu as contradiçõesEm entrevista coletiva em julho deste ano, na Cúpula dos Brics, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que contradições sobre a exploração de petróleo e a transição para energias limpas existem no mundo inteiro, e não só no Brasil. "Vivemos um momento de muitas contradições, e o importante é que estamos dispostos a superar essas contradições"
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