A política é um negócio
- A politica, que já era negócio, virou uma mina, especialmente para os mais espertos que mudam de lado a toda hora, que abdicam de ideologias em nome da grana, que não divergem quando interesses financeiros se somam a projetos de poder. É onde esquerda, direita e centro se confundem. E confundem os eleitores.
Até 2014 as empresas financiavam as campanhas eleitorais. Depois da Lavajato e os esquemas da Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, UTC, Mendes Júnior e Galvão, entre outras, ser desbaratado, o Supremo Tribunal Federal proibiu “doações de empresários” e acabou provocando a criação de um cupinzeiro que a cada quatro anos corrói o orçamento da União e assalta o bolso do contribuinte: o fundo eleitoral, que no próximo ano deve custar aos brasileiros cerca de R$ 5 bilhões, somenfe para os partidos políticos, fora os R$ 1,4 bilhão que o TSE diz que será necessário para organizar e realizar o pleito de 2024.
O monstro está criado e as empresas, que financiavam os partidos permanecem com altos interesses nos governos. O que ocorria de forma menos nebulosa, agora acontece por debaixo dos panos. Resultado: o poder político continua capturado pelos interesses dos lobbies empresariais que mantêm o financiamento aos candidatos de forma sorrateira.
Quem ganha com essas restrições legais? Os políticos, que não têm que prestar contas de um dinheiro repassado por debaixo dos panos, enquanto a conta maior fica com o contribuinte.
O que o STF fez foi alimentar essa sanha dos políticos por dinheiro e penalizar o contribuinte.
"Ah, mas o financiamento empresarial já ocorria por debaixo dos panos em razão dos contratos superfaturados dos governos com as empresas", argumentam os defensores do financiamento público das campanhas. Mas quem disse que a corrupção acabou ou que os contratos superfaturados deixaram de existir?
O fato é que a política, que já era negócio, virou uma mina, especialmente para os mais espertos que mudam de lado a toda hora, que abdicam de ideologias em nome da grana, que não divergem quando interesses financeiros se somam a projetos de poder. É onde esquerda, direita e centro se confundem. E confundem os eleitores.
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.