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Amazônia, terra dos esquecidos


Por Raimundo de Holanda

11/01/2026 20h15 — em
Bastidores da Política


  • Quando se fala da Amazônia, quase sempre o assunto começa bonito, mas termina travado.
  • Dizem que é preciso proteger a floresta, e isso é verdade.
  • O problema é que, junto com a floresta, acabam ficando paradas também as pessoas que vivem nela.

A Amazônia produz muita riqueza. Sai minério, sai energia, sai madeira legal, sai conhecimento, sai até discurso para o mundo inteiro. Mas quase nada disso volta para quem mora aqui. Não chegam estradas, não chega emprego, não chega estrutura. E o morador local não tem apoio nem condições de ir atrás dessas oportunidades sozinho.

Quando alguém da própria região tenta abrir um caminho, um projeto, uma obra, uma atividade econômica, quase sempre esbarra em barreiras ambientais. 

Não é conversa para melhorar o projeto ou corrigir erros. Na prática, vira um “não pode” definitivo, sem alternativa e sem solução no lugar.

Isso chama atenção porque, no passado, grandes projetos foram feitos na Amazônia. Estradas, ferrovias, mineração, tudo aconteceu com menos estudo, menos tecnologia e menos cuidado ambiental do que existe hoje. Mesmo assim, as decisões foram tomadas. Hoje, com mais conhecimento e mais controle, as decisões simplesmente não acontecem.

O problema não é falta de lei, nem falta de técnico, nem falta de órgão público. O problema é que decidir virou um risco político grande demais. É mais fácil não fazer nada do que assumir responsabilidade. Só que quem paga o preço dessa escolha não é quem decide, é quem mora aqui.

No fim das contas, a Amazônia fica presa num discurso bonito, mas sem resultado. A floresta é protegida no papel, mas o povo continua sem estrada, sem emprego e sem futuro claro. Proteger a Amazônia não deveria significar abandonar quem vive nela.

Enquanto continuar sendo vista  como problema, e não como dever do Estado, a Amazônia vai continuar parada, rica em tudo, menos em oportunidades para o seu próprio povo

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ASSUNTOS: Amazonas, Amazônia

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.