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A política como profissão


Por Raimundo de Holanda

24/09/2023 21h35 — em
Bastidores da Política



 

Uma breve conversa com crianças (no bairro onde moro) sobre o que gostariam de ser, ou a profissão desejada, a resposta não surpreendeu: ‘político’. Uma única criança, o Alberto, respondeu diferente: “conselheiro do Tribunal de Contas”. Todos  querendo uma vida fácil, o que é compreensível. 

O País é pobre e os políticos fazem parte de uma classe privilegiada: definem os próprios salários, o tempo de trabalho, o número de pessoas (ou assessores) que deverão servi-los e detêm inúmeros privilégios. 

A escolha das crianças, se baseada na percepção de que a política, como entendemos, é uma ciência  aplicada e que o político tem a função de administrar, gerir  ou legislar, revelaria que um novo tempo se aproxima, que em 20 ou 30 anos o eleitor será melhor representado. 

Mas não é isso. De tanto ouvirem falar que os políticos  vivem criando oportunidades para eles mesmos, como “auxílio saúde”, “cartão corporativo”, “auxílio transporte”, “auxílio moradia”, ninguém mais quer ser médico, advogado ou professor.

Se parece fácil a vida do político - e de fato é - o difícil  é ter a necessária retaguarda financeira para disputar uma eleição. A dificuldade está aí. 

Embora seja facultado a qualquer brasileiro com 18 anos disputar uma vaga de vereador ou deputado, o processo de triagem feito pelo eleitor é degradante: os escolhidos são os que praticam a santa regra franciscana: “é dando que se recebe”. 

Como o leitor, por pura necessidade, se deixou  corromper, os eleitos geralmente  são os que deram mais, ofereceram mais, venderam facilidades.

As crianças que ouvi são pobres, talvez nunca tenham a oportunidade de, no futuro, disputar uma eleição. Mas se o Albertinho tiver amigos influentes, poderá, sim, chegar ao TCE…

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.