A política com seus demônios e pitonisas

Por Raimundo Holanda

04/05/2018 20h31 — em Bastidores da Política

O maior “desafio” pontuado pelo novo presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), desembargador João Simões, empossado ontem, será combater o número de abstenções e votos nulos do eleitorado amazonense, que no ano passado na eleição suplementar representou 40% . Em seu discurso de posse, Simões afirma que "votar é um direito, mas também um dever e que não se deve demonizar a classe política, mas sim combater os maus políticos”.  

O que as autoridades insistem em não  ver é que estes  são tempos muito claros, nos quais dever e direito devem caminhar separados. Dever é obrigação; direito, um compromisso. 

Parece ter passado da hora de se mudar as regras e se instituir o voto facultativo. Vota quem quer, quem se coloca à frente das batalhas por mudanças na sociedade. E não vota  quem acha que não deve,  porque entende que o sistema politico funciona independentemente de sua intervenção . É assim nas democracias  e o Brasil precisa mudar.

A forte abstenção na eleição suplementar do ano passado, ao contrário do que diz o desembargador João  Simões,  foi mais  um recado do eleitor para banir obrigações que ele acha descabidas. 

Não foi omissão pura e simples,  nem resultado de uma suposta  demonização  da política. Mas a manifestação por um reconhecimento da liberdade de escolha , inclusive de não votar. 

AMAZONINO: 'POVO TEM RAZÃO'

O governador Amazonino Mendes, presente na posse do novo presidente do TRE-AM, também falou sobre o alto índice de abstenção na última eleição e deu razão ao povo pelo “descalabro”na corrupção. “Eu acho que o povo tem razão absoluta. O Brasil desmoronou. Aqui, o Amazonas virou um descalabro. Tem muitos maus políticos, aproveitadores e politiqueiros e a politicagem, está presente mais do que nunca”, disparou o governador. Mendes apontou que o caminho para se fazer política é com o povo, não com políticos. “Esse é o meu sistema e é por aí o meu caminho”, encerrou.

BISNETO COTADO

A presença de Arthur Bisneto na Casa Civil da Prefeitura de Manaus até o mês de março oxigenou a administração municipal, que passou por um processo de desburocratização.  Bisneto, com o prazo de desincompatibilização, reassumiu o mandato de deputado federal, mas revelou tino administrativo e seu nome é cotado para disputar o governo ou como cabeça de chapa ou como vice.  Vai depender das composições que o PSDB fará com outros partidos. 

ARMANDO FREITAS +

O advogado Armando Freitas, morto ontem em atentado em frente a sua residência escritório, era um dos profissionais da ‘velha guarda’ da advocacia amazonense mais conhecidos. Na década de 70 atuou na política ao lado de ícones como Fábio Lucena, Evandro Carreira e outros.

Na primeira eleição da ‘redemocratização’, elegeu-se deputado estadual em 1982. Na carreira de criminalista conquistou amizades, mas também fez inimigos.

  DESTINO DE LULA

Abriu ontem à meia noite o acesso à votação virtual para os ministros da 2ª Turma do STF, que vão decidir se Lula fica preso ou ganha a liberdade. De acordo com posicionamentos já tomados, a vitória será de Lula, com votos de Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello.

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Na turma, apenas dois ministros têm se posicionado contra a liberdade do petista: Edson Fachin (relator) e Dias Toffoli. Como a votação é virtual, o fator pressão popular desaparece.

EMENDAS VOLTAM A ALEAM

Por determinação do governador Amazonino Mendes à Sefaz, as 24 emendas impositivas de deputados vetadas por falhas técnicas retornaram ontem à Assembleia Legislativa para as devidas correções no âmbito da Comissão de Finanças da Casa. As correções deverão ser feitas até o dia 30 deste mês. As emendas que voltarem a apresentar falhas ficarão definitivamente prejudicadas.

“FOI O ARTHUR”

Pré-candidato a deputado federal pelo Estado do Ceará, sua terra natal, o general Guilherme Theophilo Gaspar de Oliveira disse ao jornal O Povo que o seu ingresso no PSDB e na vida política deveu-se ao prefeito de Manaus Arthur Neto, de quem é amigo e que chegou a convidá-lo a se candidatar pelo Amazonas. “Foi o Arthur que me incentivou”, disse o militar ao jornal.