O caso do engenheiro assassinado e o 'clamor da opinião pública'

Por Raimundo Holanda

24/10/2020 23h20 — em Bastidores da Política

Alejandro Molina. Alguém o conhece? Provavelmente a resposta a essa pergunta é: Não. Entretanto, o fato de ser filho de Elizabeth Valeiko, primeira dama de Manaus, o coloca no centro de um crime do qual o Ministério Público, ao oferecer a denúncia em fevereiro, afirma que ele não praticou. Mas o agente ministerial presumiu que Alejandro “foi omisso e contribuiu para o fato criminoso". Assim, ele foi denunciado pelo envolvimento na morte do engenheiro Flávio Rodrigues, por mera presunção. Prevaleceu o “clamor da opinião pública”, que alimenta e inflama egos.

A divulgação de um laudo da perícia criminal, recentemente adicionado aos autos, mais uma vez provocou um certo assanhamento da mídia. O laudo é inconclusivo, como de resto toda a investigação anterior, e não aponta sequer indício de que Alejandro participou do crime. Mas seu nome, e não os daqueles que assumiram o delito, está nas principais manchetes.

“…filho da primeira dama”, enteado do prefeito…”. Então é o prefeito e sua mulher que estão em julgamento? Como blindar as instituições do chamado “clamor da opinião pública” e do  estrago que ela provoca? 

O  dever de fazer justiça, de acusar com provas, de não cometer abusos a pretexto  de defender a sociedade, deve estar acima das pressões advindas de setores  que dominam as redes sociais com seus robôs. Não representam a opinião pública, muito menos o Direito e seus pressupostos, dos quais nem o MP nem o Judiciário  podem se afastar.