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Membros do Judiciário deveriam se recusar a receber homenagens


Por Raimundo de Holanda

03/06/2022 18h50 — em
Bastidores da Política



Vejo com preocupação as homenagens que a classe política local oferece a membros do Judiciário. Mais ainda quando questões de natureza legal lá na frente colocarão em xeque a imparcialidade do magistrado. Portanto, deveria ser, senão um impedimento legal, previsto nos próprios regimentos dos tribunais, uma autocompreensão dos magistrados de que essas homenagens  lhes rendem comprometimento e de certa forma  depõem contra a instituição que representam.  

Mas esse é um problema mais da classe politica, que venera, exalta e bajula o Judiciário, contribuindo para que a balança dos poderes penda cada vez mais para um lado.

É bom ouvir que um membro do Judiciário abraça uma causa pela qual o Estado luta. Mas para o sistema de justiça é ruim. E o que interessa aqui é a defesa de princípios – da imparcialidade do juiz.

A premissa de que o magistrado “deve se colocar entre as partes e manter distância entre elas”, já torna essas homenagens inapropriadas.

Mas são portas pelas quais os magistrados entram na arena politica e se tornam protagonistas, isolando e limitando os demais poderes. Olhem como o País se encontra...



Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.