Como sonhos podem acabar assim?
Acordo às 4:30, abro a porta dos fundos e aceno para a Estrela da Manhã, que nasce no mesmo lugar do Sol. E agradeço por mais um dia no planeta vida.
De onde olho o céu percebo o milagre de estar aqui. Respiro o ar frio da madrugada e revivo o mesmo sonho de infância: conhecer cada cantinho desse belo planeta.
Desço para o térreo, leio um livro, os jornais on-line e me deparo com as aventuras de Juliana Marins, a garota que tinha sonhos como os meus, mas era livre das amarras que tenho. Saiu pelo mundo, viveu muitas aventuras até cair naquele vulcão na Indonésia.
Como sonhos podem morrer assim?
Durante quatro dias ela lutou contra o frio e a dor, até perder a vida. O resgate foi inexplicavelmente demorado.
Era brasileira, mas o governo de seu país não deu a mínima para ela. Era estrangeira numa terra hostil.
Negra? Não, não seria a cor de Juliana que contribuiu para a indiferença de seu guia e das autoridades da Indonésia . Ou foi? Nunca vamos saber, mas que houve negligência, desprezo com a vida dela, houve.
Confesso que senti uma grande angústia, como se Juliana fosse parte de mim. E também porque morreu dentro de mim a fé que tinha nos homens.
ASSUNTOS: aventura, Indonésia, Juliana Marins, morre brasileira
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.