Alguém precisa salvar o TCE-AM
- Primeiro a Polícia, depois a Justiça. Uma disputa de poder sem limites. Conselheiro se autoproclamando juíz de outro conselheiro e o troco vindo em dossiês que podem implodir o tribunal.
Em todo lugar há divergência. Pessoas que formam grupos para fazer frente a ideias e comportamentos com os quais não concordam. Em um tribunal não é diferente. Muitas vezes a cizânia entra na Corte pela porta da frente e o mal que provoca é imenso.
O incidente envolvendo a conselheira Yara Lins e o também conselheiro Ari Moutinho era para ser resolvido internamente, mas a proporção que o caso ganhou arranhou profundamente a imagem do tribunal.
A conselheira foi ‘orientada’ a fazer uma coletiva à imprensa (para denunciar o colega) dentro da Delegacia Geral de Polícia. Ela, que fora eleita para assumir o comando da Corte e com a responsabilidade de também administrar conflitos, colocou-se à mercê do achincalhe de mídias pouco preocupadas se era vítima ou algoz.
A decisão de ir à polícia e falar com a imprensa em local impróprio foi quase uma autoflagelação.
Todos os impropérios supostamente ditos contra ela pelo conselheiro - ele nega - mas que ela fez questão de ressaltar, palavrão por palavrão, foram repetidos mil vezes pela mídia. Citá-los aqui, agora, serviria apenas àqueles que insistem em jogar lenha numa fogueira que consome principalmente o tribunal, enquanto instituição. Mas a imagem de Yara ficou menor. Sua capacidade de presidir a Corte de Contas está seriamente abalada.
Ah, mas por que é mulher? Não. Não misturem as coisas. Exatamente por ser mulher não podia ter se permitido manipular num tribunal preponderantemente masculino.
Muito provavelmente o interesse no afastamento de Ari Moutinho não seja dela, nem vislumbre as possibilidades de poder com a abertura de uma vaga de conselheiro para alguém afinado com o seu grupo.
Yara pode ser vítima sim, assim como Ari pode ser alvo de um projeto sinistro de poder.
O que Yara não deve permitir é ser vítima duas vezes, ao não perceber o que pode estar por trás desse jogo… que muito provavelmente vai virar contra ela, na medida em que dossiês começam a surgir envolvendo seu nome e de parentes. Mas isso fica para uma próxima coluna…
ASSUNTOS: ari moutinho, TCE-Am, YARA LINS
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.