Fragmento de fóssil revela nova espécie de jacaré que viveu na Amazônia

Por Portal do Holanda

07/01/2021 10h24 — em Amazônia

Foto: Pixabay


Cientistas descobriram uma nova espécie de jacaré exista, que vivia pela Amazônia brasileira há cerca de 10 milhões de anos. A espécie Melanosuchus latrubessei, como foi chamada, foi revelada através de um fragmento de fóssil de uma espécie desconhecida pela ciência.

Apesar de incompleto, o achado foi suficiente para confirmar que se tratava de uma espécie ainda desconhecida pela ciência. O jacaré pré-histórico habitava as margens do rio Purus e seu fóssil foi encontrado numa região conhecida como sítio Talismã, entre o Acre e o Amazonas. A descoberta foi descrita em um artigo publicado no último mês na revista científica Zootaxa.

Os pesquisadores estimaram a idade do fóssil, através da técnica de datarão com isótopo, em aproximadamente 10 milhões de anos, o que  corresponde à época do Mioceno, entre 5 e 12 milhões de anos atrás. Esse cenário mudou com a finalização do soerguimento dos Andes (condição similar à que vivemos hoje) que resultou num esvaziamento do acúmulo de água nessa região junto a mudanças climáticas que provavelmente tiveram relação direta na extinção de boa parte da fauna e flora que habitava a região”, explica o pesquisador Jonas de Souza-Filho, da Universidade Federal do Acre, e um dos autores do estudo.

O jacaré pré-histórico possuía um tamanho e hábitos alimentares parecidos com o do contemporâneo e também amazônico jacaré-açu (Melanosuchus niger), o maior jacaré vivente do mundo, com uma dieta generalista baseada em peixes, répteis e mamíferos de pequeno a médio porte. O fóssil também revelou a morfologia dos dentes do Melanosuchus latrubessei, que possuía dentes posteriores mais baixos e arredondados que permitiam que se alimentassem de animais mais duros como tartarugas e crustáceos.

“É permitido reconhecer que essa espécie possui inúmeras similaridades morfológicas com o maior jacaré vivente do mundo, o jacaré-açu. Similaridades essas que tornaram possível explicar, por meio da proposição do compartilhamento de um ancestral comum entre essas espécies, onde tais características surgiram, se fixaram e foram herdadas tanto pela espécie fóssil quanto a vivente”, detalha Lucy Souza, do Museu da Amazônia. O jacaré-açu pode chegar a 6 metros de tamanho e ocorre exclusivamente na bacia Amazônica, onde tem ampla distribuição e pode ser encontrado em sete países, entre eles o Brasil.

A paleontóloga explica que o Melanosuchus latrubessei coexistiu com outros crocodilianos como os do gênero Gryposuchus, animais aparentados ao gavial indiano, e do Mourasuchus, crocodiliano com focinho longo e largo que lembra o formato do bico de um pato. “E com o maior crocodiliano conhecido até então, o Purussaurus brasiliensis”, completa Lucy, que também já escreveu artigos sobre o purussauro – jacaré que chegaria a 13 metros de comprimento.

“Estudos envolvendo a vida passada são importantes para expandirmos nosso conhecimento sobre a biodiversidade de organismos que já habitaram nosso planeta, mas também para entender como se dá a evolução dos animais e o impacto das mudanças climáticas e ambientais na vida dos organismos. A compreensão do passado nos ajuda a compreender e explicar o presente bem como projetar o futuro avaliando assim os danos e impactos de nossas ações na natureza e quais as possíveis consequências que isso gerou e irão gerar”, conclui Jonas.
 

Fonte: O Eco


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