Justiça começa a ouvir supostas vítimas de cirurgião plástico em Manaus
Manaus/AM - A juíza titular da 11ª Vara Criminal, da Comarca de Manaus, Eulinete Tribuzy, deu início nesta terça-feira (29) aos processos que apuram o crime de lesão corporal grave dolosa e estelionato, supostamente cometidos pelo cirurgião plástico Carlos Jorge Cury Mansilla, 58 anos. Oito vítimas (ex-pacientes do médico) deverão depor esta semana.
Cinco delas compareceram neste primeiro dia de audiências de instrução. As outras três devem ser ouvidas nesta quarta-feira (30). A expectativa da juíza é também colher os depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa, bem como do acusado, até sexta-feira (2).
O Ministério Público está trabalhando para enquadrar o acusado nos crimes de estelionato e lesão corporal grave. Segundo ela, como os processos foram juntados em um só bloco, em caso de condenação, a pena por uma vítima será a mesma para os demais processos.
“Ele vai ser julgado por cada um dos crimes. Uma vez comprovado que ele os cometeu, será aplicada a continuidade delitiva, ou seja, a pena por um crime será a mesma pelos demais”, disse a promotora do caso.
A juíza Eulinete Tribuzy disse que a expectativa é de que as oito vítimas possam ser ouvidas todas ainda esta semana, apesar de o tempo de depoimento que cada estar próximo de duas horas. "É um processo muito complexo e delicado, com muitas vítimas e muitos detalhes. Mas vamos trabalhar para ouvir todos esta semana para podermos entrar nos demais processos", explicou a juíza.
Emília Alencar é uma das vítimas do suposto erro médico por parte do cirurgião. Em entrevista à imprensa, ela relatou que até hoje convive com as sequelas da cirurgia a que se submeteu. Emília afirma que feito novos procedimentos cirúrgicos e tomado vários medicamentos para conter uma bactéria que se espalhou pelo seu corpo. "Não tenho mais o que gastar", afirmou ela, mostrando uma mala com uma grande quantidade de embalagens de medicamentos que já tomou. "Ainda estou com muitos problemas. Estou sofrendo muito”, disse.
Os processos contra o cirurgião apuraram casos diferentes, sendo os mais comuns os de cirurgias plásticas como lipoescultura, mamoplastia, abdominoplastia e cirurgia no nariz. Segundo o Ministério Público, até agora são 16 vítimas lesionadas e mais uma vítima fatal.
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