"Vim para ajudar": Amazonense relata rotina na guerra da Ucrânia
Manaus/AM - O amazonense Dimitri Alves, de 21 anos, natural de Carauari, no interior do Amazonas, deixou o Brasil para atuar na guerra da Ucrânia contra a Rússia. Desde então, ele passou a relatar nas redes sociais e em entrevistas aspectos da rotina em áreas de conflito, o que despertou o interesse de outros jovens brasileiros. A partir desses relatos, Dimitri criou um grupo em um aplicativo de mensagens que reúne mais de 300 pessoas interessadas em se voluntariar para forças armadas no exterior.
Ex-integrante do Exército Brasileiro, onde serviu por um ano e três meses, Dimitri afirma que o interesse pela carreira militar surgiu ainda na infância. Segundo ele, a decisão de buscar atuação fora do país está relacionada a um projeto pessoal de vida e à busca por experiências diferentes das alternativas profissionais tradicionais no Brasil.
O jovem nega que a ida à Ucrânia tenha sido motivada por questões financeiras. De acordo com Dimitri, a decisão foi influenciada pela reação à invasão russa e pelo impacto da guerra sobre a população civil. Atualmente, ele integra a Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, criada em 2022 para receber combatentes estrangeiros após o início do conflito. "Tem muita gente morrendo aqui, crianças, mulheres que não conseguem se defender. Eu não vim pelo dinheiro. Dinheiro é consequência. Eu vim, acima de tudo, para ajudar", disse
Atualmente em Kiev, Dimitri esteve recentemente em Zaporizhia, uma das regiões mais afetadas pelos combates. Ele relata ter participado de missões no front, enfrentado confrontos armados e presenciado situações de risco, como a morte de colegas e o ferimento de integrantes do grupo durante operações em áreas de combate.
Segundo Dimitri, a decisão de ir para a guerra não teve apoio inicial da família, mas a relação se estabilizou com o tempo. Com a visibilidade de sua trajetória, ele passou a responder dúvidas de outros brasileiros interessados, compartilhando informações sobre procedimentos, exigências e riscos da atuação em zonas de conflito. Ele afirma que procura mostrar a realidade da guerra, destacando que a escolha envolve custos pessoais e consequências permanentes.
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