Amazonas tem mais de 300 áreas de alto risco de inundação e deslizamentos, alerta SGB
Manaus/AM - Mais de 105 mil pessoas de 60 municípios do Amazonas vivem em 331 áreas de risco, das quais 166 são de risco alto e outras 165 de risco muito alto para eventos graves como inundação, erosão, deslizamentos e queda de blocos, de acordo com relatório divulgado pelo Setorização de Áreas de Risco Geológico, do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM).
Só no município de Tefé, são mais de três mil pessoas vivendo em áreas com alto risco de acidentes graves e duas áreas que correm ainda mais perigo e que por isso demandam constantes monitoramento.
O estudo do SGB, divulgado no início deste mês , apresenta ainda dados atualizados sobre a existência das 331 áreas em 60 municípios nas quais há risco de perdas ou danos por eventos adversos causados pela possibilidade de eventos desastrosos causados por enchentes, inundações e outros fatores que colocam em perigo a segurança da população que vive nesses locais.
Os critérios usados pelos pesquisadores para classificar os riscos como “alto” e “muito alto” foram baseados em fatores como a condição geológica do local, existência de inclinação de terrenos e sinais evidentes de rupturas, como trincas no solo, que tornam os locais em condições de alta vulnerabilidade.
Tefé
Nas áreas mapeadas em Tefé, segundo os pesquisadores do SGB, estão 567 imóveis considerados de alta vulnerabilidade e 226 moradias estão em estágio de alto risco de acidentes. Nessas regiões, é possível que ocorram “eventos desastrosos”, como deslizamentos de terra causados por chuvas intensas e prolongadas.
Mesmo assim, o relatório traz um comparativo com a última vistoria realizada no município na qual constatou o aumento do número de moradias, acentuando ainda mais o risco de eventos considerados desastrosos.
Entre as áreas com riscos de deslizamento de terra em Tefé está uma de pouco mais de 1,2 quilômetros, com cerca de 300 casas, algumas próximas de encostas, que estão sendo monitorada pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), segundo informou o coordenador Edivilson Braga da Silva.
Além do monitoramento, há acompanhamento das famílias com ações de saúde e assistência social junto aos moradores, garante ele.
Está em estudo o remanejamento desses moradores para outra área, mas entre as alternativas, a prefeitura local aguarda a liberação de 692 unidades habitacionais construídas pelo Governo Federal que foram invadidas e que pode ser uma alternativa para abrigar essas famílias, disse o coordenador.
Edivilson revelou que mudanças na natureza levaram a inundação, na última enchente, de algumas áreas do município de Tefé que antes não alagavam, afetando inúmeras famílias.
Em seguida, vieram os efeitos severos da estiagem grande, que desde o passado vem prejudicando o abastecimento e o escoamento da produção agrícola local, pois o município não tem estradas, contando somente com os rios para fazer o transporte.
Com a seca, alguns trechos de rios ficaram intrafegáveis, o que prejudicou tanto o abastecimento de água potável quanto de alimentos de algumas comunidades.
Em relação a cheia desse ano, a Compedc se prepara não só atuar no deslocamento de algumas famílias cujas casas ficarão totalmente submersas pelas águas, mas também na construção de pontes e assoalhos provisórios para garantir a permanências das pessoas nas comunidades e casas.
Edivilson revela que neste ano, o município vai contar com a criação de um núcleo de gerenciamento de crise cujos conselheiros vão otimizar a atuação junto a essa população que precisará ser deslocada nos períodos da enchente dos rios do Amazonas ou de outros atendimentos.
Com as informações tanto do serviço geológico quanto do meteorológico, o coordenador tem participado de reuniões junto ao setor produtivo local para falar dessas questões e dar orientações de modo a buscar alternativas que ajudem a minimizar o desastre. Não há ainda, segundo ele, informações precisas sobre o nível da enchente deste ano.
No ano passado, ao alcançar o marco de 29,70m, o rio Amazonas registrou a quarta maior enchente da história desde que foi iniciado o monitoramento pela administração do Porto de Manaus.
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