UFRJ pode permitir construção de prédio para reabrir o Canecão
RIO - O conselho administrativo da UFRJ deve analisar até o fim deste ano uma proposta de incorporação imobiliária do terreno em Botafogo onde está localizado o Canecão, fechado desde 2010: a ideia apresentada por uma consultoria contratada pela universidade é permitir a construção de um prédio comercial no local, tendo como contrapartida a reforma da casa de espetáculos e a abertura de um centro cultural voltado para os alunos. Ainda de acordo com o projeto, a gestão do espaço seria entregue à iniciativa privada.
Segundo a UFRJ, o modelo de viabilidade econômica e jurídica da proposta ainda não está concluído. Algumas contrapartidas, no entanto, foram estabelecidas. Se o edifício comercial sair do papel, o aluguel ou a venda de suas salas garantiriam receita para a universidade. Na quinta-feira, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, e o reitor Roberto Leher se reuniram para discutir o assunto. Sá Leitão saiu otimista do encontro.
- Fiquei feliz de constatar que há essa possibilidade (de a UFRJ fazer uma parceria com a iniciativa privada). Isso representa um grande avanço. Vejo como uma saída extremamente viável, um caminho realista, onde todos os lados sairão ganhando: o Rio, os empresários e a universidade. Uma incorporação imobiliária com a construção de salas comerciais garantiria a volta do Canecão e uma receita significativa.
Com o avanço dos estudos e o interesse da própria UFRJ, o ministro faz uma previsão para a reabertura da casa de shows.
- Acredito que, dentro de dois ou três anos, o Canecão voltará a funcionar, com melhores instalações - disse Sá Leitão, que irá disponibilizar R$ 200 mil do Ministério da Cultura para a restauração do painel "A última ceia", pintado por Ziraldo em 1967 em uma das paredes da casa.
O setor imobiliário vê com bons olhos a proposta. De acordo com Leonardo Schneider, vice-presidente do sindicato da habitação do Rio (Secovi), o aluguel de uma sala comercial no terreno do Canecão, hoje, sairia a R$ 100 por metro quadrado.
- Quando se fala em criar opções de receitas com andares corporativos num ponto como aquele, ao lado de dois shoppings, com vista privilegiada e perto do Aeroporto Santos Dumont e do Centro, o tema se mostra bastante interessante. E mantendo um tradicional espaço cultural da cidade é ainda melhor - avaliou Schneider.
Desde que assumiu a reitoria da UFRJ, em 2015, Leher promoveu várias audiências sobre o futuro do Canecão com produtores culturais e representantes dos setores artísticos da instituição. Ele disse que o modelo de uso do imóvel precisa garantir a devolução da casa de espetáculos à população carioca e, ao mesmo tempo, contemplar a produção cultural da universidade.
- Queremos reabrir o Canecão, mas não temos como trabalhar um cenário que não envolva a produção da UFRJ - afirmou o reitor, destacando que o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead) prepara um estudo sobres os custos operacionais da iniciativa.
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