Construção do consulado português em Botafogo provoca polêmica
RIO — Uma construção cinzenta e proeminente está “brotando” na lateral esquerda do jardim do Palácio São Clemente, em Botafogo, e tem chamado a atenção de quem passa pelo endereço, que funciona como residência oficial do cônsul-geral de Portugal no Rio. O anexo abrigará o novo consulado do país, que deve ser inaugurado entre maio e junho. No bairro, a novidade provoca polêmica entre moradores, preocupados com a vista.
— Achei horrível. Destruíram parte do jardim do palácio — disse Regina Oliveira, há 50 anos em Botafogo.
Presidente da Associação de Moradores e Amigos do bairro, Regina Chiaradia diz ter ficado “muito triste” com a construção:
— Os jardins foram cenários de novelas, ficavam em harmonia com o conjunto arquitetônico. Pedimos o tombamento do palácio, mas não podem se envolver em propriedade consular.
Porteiro do edifício em frente, na Rua São Clemente, Assis Barbosa reclama que a obra era muito barulhenta:
— Agora, está tranquilo.
Há quem tenha gostado da novidade, como a assistente social Eneida Falcão:
— Passo sempre por aqui e raramente prestava atenção, pois o palácio fica escondido nos fundos do terreno.
Para a dona de casa Valdirene Freitas, a obra é “maravilhosa, justamente pelo contraste do novo com o velho”.
Hoje, o Consulado Geral de Portugal ocupa uma sala na Avenida Marechal Câmara, no Centro. O prédio novo tem investimento de 2,5 milhões de euros do governo português e, segundo o secretário de estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, a mudança vai gerar atendimento mais qualificado e moderno.
O Palácio São Clemente foi construído em 1957 pelo arquiteto português Guilherme Rebelo de Andrade e inaugurado em 1960. Segundo o historiador Milton Texeira, o casarão, em estilo neomanuelino (principal estilo do romantismo português, ligado à produção artística do reinado de dom Manuel I), foi erguido no lugar da mansão da família Simonsen. A casa havia sido comprada pelo governo de Portugal para abrigar a embaixada do país:
— A mansão desabou num temporal nos anos 1940. Durante esse intervalo, a embaixada funcionou num escritório na Avenida Presidente Vargas — disse Teixeira.
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