Na ONU, Lula cita condenação de Bolsonaro e manda "recado" a lideres autoritários
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (23) durante o discurso de abertura da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Pela tradição, o Brasil é o primeiro país a falar no debate geral, que reúne líderes de 193 nações. Lula destacou a importância da defesa da democracia e da soberania nacional diante de ameaças externas e internas.
Sem citar Bolsonaro nominalmente, Lula afirmou que "um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito" e ressaltou que o julgamento ocorreu dentro do devido processo legal. "Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam a suas vítimas", declarou. O presidente ainda enviou um recado a líderes autoritários: "O Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e aos que os apoiam. Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis".
Em outro momento, Lula criticou o que chamou de tentativas de interferência no Judiciário brasileiro e classificou como "inaceitáveis" as medidas unilaterais impostas por potências estrangeiras. "Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos. Não há justificativas para medidas arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia", afirmou, ao acusar a extrema-direita de apoiar ingerências externas.
O pronunciamento ocorreu em meio à maior crise diplomática com os Estados Unidos nas últimas décadas. Na véspera, o governo do presidente Donald Trump anunciou novas sanções a autoridades brasileiras, um dia após a condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as medidas, estão a revogação do visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, e a aplicação da Lei Magnitsky à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que teve seus bens nos EUA bloqueados.
As sanções se somam à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, imposta em retaliação ao julgamento de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Lula não citou diretamente as punições, mas reforçou que o Brasil seguirá como “nação independente e povo livre de qualquer tipo de tutela”, defendendo a autonomia das instituições e a necessidade de fortalecer a ordem multilateral representada pela ONU.
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