Dinamarca diz que Trump precisa ser levado a sério sobre desejo de ter Groenlândia
Por Jacob Gronholt-Pedersen
COPENHAGUE, 5 Jan (Reuters) - A primeira-ministra da Dinamarca disse nesta segunda-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, precisa ser levado a sério quando diz que quer adquirir a Groenlândia, e reiterou que a ilha não quer fazer parte dos Estados Unidos.
As potências europeias também apoiaram a Groenlândia depois que a operação militar dos EUA na qual o líder da Venezuela foi capturado reacendeu as preocupações na Dinamarca de que a ilha, um território dinamarquês autônomo, poderia enfrentar um cenário semelhante.
Trump, que disse que os EUA estavam assumindo o controle temporário da Venezuela, produtora de petróleo, afirmou repetidamente que quer assumir o controle da Groenlândia e disse à revista The Atlantic no domingo: "Nós precisamos da Groenlândia, com certeza. Precisamos dela para a defesa".
Falando aos repórteres a bordo do Air Force One na manhã desta segunda-feira, Trump disse que voltaria a abordar o assunto em algumas semanas.
"JÁ BASTA"
"Infelizmente, acho que o presidente norte-americano deve ser levado a sério quando diz que quer a Groenlândia", disse Frederiksen à emissora pública DR nesta segunda-feira.
"Deixei bem clara a posição do Reino da Dinamarca, e a Groenlândia tem dito repetidamente que não quer fazer parte dos EUA", acrescentou.
A Groenlândia, a maior ilha do mundo, com uma população de 57.000 pessoas, não é um membro independente da Otan, mas está coberta pela adesão da Dinamarca à aliança militar ocidental, da qual os EUA também fazem parte.
"Se os EUA atacarem outro país da Otan, tudo acaba", disse Frederiksen.
Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial à Groenlândia no mês passado. Landry expressou publicamente seu apoio à incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos.
A localização estratégica da Groenlândia entre a Europa e a América do Norte a torna um local essencial para o sistema de defesa contra mísseis balísticos dos EUA. Os importantes recursos minerais da ilha também se alinham com a ambição de Washington de reduzir a dependência das exportações chinesas.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, respondeu aos comentários de Trump em uma publicação no Facebook, dizendo: "Já basta... Chega de fantasias sobre anexação".
APOIO EUROPEU À GRONELÂNDIA
Aliados da Dinamarca na Europa afirmaram que o futuro da ilha ártica deve ser determinado por seu povo.
"A Groenlândia e o Reino da Dinamarca devem determinar o futuro da Groenlândia e ninguém mais", disse o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, aos repórteres.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse que a Groenlândia pertence à Dinamarca e sugeriu que a Otan poderia discutir o fortalecimento de sua proteção, se necessário.
A França disse que a Groenlândia pertence ao povo da Groenlândia, e um porta-voz da Comissão Europeia disse que a União Europeia continuaria a defender o princípio da soberania nacional.
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