Crise pós-Maduro faz preços de alimentos dispararem na Venezuela
A primeira semana da Venezuela sem Nicolás Maduro no poder foi marcada por forte instabilidade econômica e disparada nos preços de alimentos e produtos básicos. Em meio à incerteza política, consumidores relataram aumentos expressivos no custo de itens essenciais, reacendendo o temor de uma nova onda de hiperinflação no país.
"Está tudo caríssimo. Não tenho como comprar alimentos com este benefício que ganho. Estou pedindo ajuda a amigos (para conseguir comida). Dias antes do que aconteceu (a retirada de Nicolás Maduro do poder) a caixa grande de ovos custava seis dólares. Agora está em oito dólares (o equivalente a R$ 42). Não dá. O que já era caro, ficou ainda mais", afirmou uma professora de dança de 65 anos que recebe pouco mais de um salário mínimo e mora com o marido e dois filhos no centro de Caracas, em entrevista ao site UOL.
Para tentar conter a escalada especulativa, a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou que enviará à Assembleia Nacional um projeto de lei voltado à proteção dos direitos socioeconômicos da população. Apesar da promessa, venezuelanos relatam dificuldades crescentes para comprar comida, com preços variando diariamente conforme a cotação do dólar, que segue instável entre o câmbio oficial e o mercado paralelo.
Dados do Banco Central da Venezuela indicam que o salário mínimo, que já era baixo, perdeu ainda mais poder de compra com a desvalorização do bolívar. Em Caracas, açougues e mercados exibem valores considerados abusivos, enquanto trabalhadores afirmam precisar aumentar significativamente a renda diária para conseguir sustentar as famílias.
Especialistas alertam que, sem uma ação rápida para estabilizar a moeda e ampliar a entrada de dólares na economia, o país pode caminhar novamente para a hiperinflação, fenômeno que marcou os anos recentes da crise venezuelana. A população, por sua vez, tenta se proteger estocando alimentos e convertendo o pouco dinheiro disponível em produtos ou moeda estrangeira, temendo um agravamento do cenário econômico.
ASSUNTOS: Mundo