Exportações de carne bovina brasileira despencam e outros destaques do mercado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Camadas mais ricas da população estão sentindo mais a pressão do aumento do nível de preços do que as mais pobres, exportações de carne bovina brasileira despencam e outros destaques do mercado nesta quarta-feira (23).
**O DE CIMA SOBE E O DE BAIXO DESCE?**
Os preços estão cada vez piores ou melhores? Depende da classe social na qual você está. É o que aponta a pesquisadora Maria Andreia Parente Lameiras, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a partir de levantamento mensal do órgão sobre o tema.
Para as famílias mais pobres, os preços de parte dos alimentos começam a cair após sucessivos aumentos. Enquanto isso, as camadas mais ricas da população sentem mais a pressão nos valores dos serviços o que leva a uma percepção de que a inflação está mais acentuada.
"Quando a gente passar por dezembro e olhar o que foi o ano de 2025, provavelmente as famílias de renda mais alta vão estar com uma inflação maior, afirma Lameiras.
O ESTUDO
O estudo do Ipea que mede a inflação por faixa de rendimento divide as famílias em seis grupos conforme os respectivos ganhos mensais. São eles: renda muito baixa, baixa, média-baixa, média, média-alta e alta.
A partir dessa divisão, o instituto calcula a variação dos preços para cada estrato, considerando os bens e serviços mais consumidos em cada um deles.
Os alimentos pesam mais no orçamento dos mais pobres, ao passo que os serviços impactam mais a cesta dos brasileiros com rendimentos mais elevados.
OS DADOS
Na passagem de maio para junho, a inflação perdeu força para as três faixas da população que ganham menos, segundo o Ipea.
Os preços da alimentação no domicílio mostraram queda de 0,43% em junho, após nove meses consecutivos em alta.
No caso da camada de renda média-alta, a inflação ganhou força, passando de 0,21% em maio para 0,27% em junho. O índice também acelerou para a faixa de rendimento alto, de 0,08% para 0,28%.
A população ganha renda com o bom momento do mercado de trabalho. Isso faz com que as empresas possam reajustar os preços de serviços, ainda que os juros estejam em um patamar alto a Selic está em 15%, caso tenha esquecido.
**A VACA TOSSIU**
Até pouco tempo atrás, era difícil imaginar um mercado de carnes brasileiro sem exportações em peso para os Estados Unidos. Hoje, essa realidade está cada vez mais próxima.
A imposição de tarifas extras pelo presidente Donald Trump já derruba a venda de carne bovina para os americanos mesmo antes de entrar em vigor a sobretaxa de 50%, o que está previsto para 1º de agosto.
VÃO SENTIR SAUDADES
O Brasil é hoje o maior exportador de carne bovina para os EUA, seguido por Austrália, Nova Zelândia e Uruguai. Paralelamente, os americanos são o segundo maior destino da carne brasileira, só atrás da China.
As vendas de carne para os EUA seguiam em níveis recordes até o início deste ano.
De janeiro a junho de 2025, o Brasil exportou 181,5 mil toneladas de carne bovina para lá, com faturamento de US$ 1,04 bilhão (R$ 5,78 bilhões) no período.
O resultado representa um crescimento de 112,6% em volume e 102% em valor em relação ao mesmo período de 2024.
TORNIQUETE
Em abril, mês em que Trump passou a impor a taxação adicional de 10%, as exportações brasileiras de carne para os EUA chegaram a 47,8 mil toneladas.
Em menos de três meses, porém, o volume despencou: ele chega a 9,7 mil toneladas em julho, uma redução de 80% sobre as exportações de abril.
Enquanto isso o preço da carne brasileira subiu para os americanos. Se em abril o valor médio pago pelo importador era de US$ 5.200 por tonelada de carne, esse preço passou para US$ 5.400 em maio e chegou a US$ 5.600 em junho.
Faca de dois gumes assim podemos definir a exportação de commodities. Em uma briga de preços, o mais barato sempre ganha. Neste caso, isso é ruim para o Brasil, uma vez que o produto do país vai encarecer com as tarifas.
Contudo, é mais fácil redirecionar a exportação desse tipo de mercadoria do que de setores especializados, por exemplo. Sempre há quem queira comprar carne mundo afora.
**COCA MAIS DOCE**
A pressão de Donald Trump sobre as empresas para fortalecer a produção em território americano pode fazer efeito.
A Coca-Cola anunciou que, no segundo semestre do ano, pretende lançar um produto que contenha açúcar de cana americana. Nesta terça-feira (22), o presidente americano comentou o assunto na rede social que criou, a Truth Social:
Conversei com a Coca-Cola sobre o uso de açúcar de cana real no refrigerante nos Estados Unidos, e eles concordaram, escreveu.
A fabricante de bebidas não confirmou a correlação entre o pedido do presidente e a decisão o fato é que as duas coisas aconteceram.
MUDANDO A RECEITA
Hoje, a bebida açucarada mais famosa do mundo é feita nos EUA usando xarope de milho de alta frutose como adoçante. Em outros países, usa-se a sacarose extraída da cana.
O xarope se popularizou nos Estados Unidos nos anos 1970 graças aos subsídios federais concedidos aos produtores de milho e às altas tarifas sobre o açúcar de cana.
A medida pode agradar alguns americanos: há aqueles que preferem o sabor da cana e procuram refrigerantes fabricados no México, onde o açúcar dela é usado.
E o tarifaço? Tem tudo a ver com essa história. Em primeiro lugar, Trump prometeu vantagens a empresas que nacionalizassem suas cadeias produtivas. A Coca-Cola pode tentar tirar uma casquinha desse pensamento do presidente.
O país tem uma produção relevante de cana-de-açúcar, que ajuda a atender uma demanda interna, mas não é suficiente para uma forte exportação. Mesmo assim, importam a commodity do México, do Brasil e de países centro-americanos.
Fato curioso: Donald Trump é famosamente entusiasta da Coca-Cola Light, que nos Estados Unidos leva o adoçante aspartame.
**RUMO AO DIVÓRCIO**
Quando você tira um tempo para organizar o armário, não encontra várias lembranças do passado? Fotos, cartas, brinquedos, roupas que não são mais usadas e, de repente, se pergunta: por que isso tudo ficou esquecido aqui?.
A Kraft Heinz está passando por esse momento. Arrependida da fusão realizada há dez anos, a empresa pensa na cisão e na ressurreição de marcas que ficaram para trás depois da união.
COMO ASSIM?
A fabricante americana de alimentos está estudando a possibilidade de dividir grande parte de seus negócios melhor dizendo, está querendo isolar produtos da antiga Kraft em uma nova empresa.
O novo CNPJ poderia ser avaliado em até US$ 20 bilhões (R$ 111 bilhões), o que faria com que essa fosse a maior negociação no setor de bens de consumo do ano até agora.
CASAMENTO INFELIZ
Dá para dizer que a união entre as antigas Kraft e HJ Heinz antes, dois corpos separados não foi das mais frutíferas. As ações da fabricante perderam cerca de dois terços do valor desde que elas se fundiram em 2015.
Na época, o acordo foi apoiado pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, e pela 3G Capital, private equity brasileira.
Os objetivos principais eram o corte de custos das duas empresas e a expansão internacional das marcas.
Mas, anos depois, os custos continuam altos, as vendas estagnaram e os lucros caíram.
RUMO AO DIVÓRCIO
Os consumidores dos EUA estão gastando menos em alimentos embalados de marcas famosas, cada vez mais caros, depois da pandemia. Ainda, movimentos críticos a alimentos ultraprocessados ganham força entre os americanos o que não ajuda a empresa alimentícia.
A 3G zerou a sua participação na companhia, enquanto a Berkshire Hathaway continua como a principal acionista, ainda que os executivos dela tenham deixado o conselho da fabricante depois que perderam a fé no negócio.
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISOU FAZER**
Sentiu a pressão. Preocupado com o crescimento da Shopee no setor de e-commerce, o Mercado Livre vai oferecer R$ 40 milhões em cupons para o Dia dos Pais.
Amigos de novo. Trump afirmou nesta terça-feira que chegou a um acordo com o Japão as taxas de importação dos produtos japoneses para os EUA caem de 24% para 15%.
Atenção, donos de Peugeots. A Stellantis anunciou o recall de modelos 208 e 2008 por risco de incêndio.
Reclamando Aqui. Depois de um boom de reclamações na internet, a Centauro virou alvo de investigação pelo Ministério Público.
ASSUNTOS: Economia