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Exportações de carne bovina brasileira despencam e outros destaques do mercado

Por Folha de São Paulo

23/07/2025 7h45 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Camadas mais ricas da população estão sentindo mais a pressão do aumento do nível de preços do que as mais pobres, exportações de carne bovina brasileira despencam e outros destaques do mercado nesta quarta-feira (23).

**O DE CIMA SOBE E O DE BAIXO DESCE?**

Os preços estão cada vez piores ou melhores? Depende da classe social na qual você está. É o que aponta a pesquisadora Maria Andreia Parente Lameiras, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a partir de levantamento mensal do órgão sobre o tema.

Para as famílias mais pobres, os preços de parte dos alimentos começam a cair após sucessivos aumentos. Enquanto isso, as camadas mais ricas da população sentem mais a pressão nos valores dos serviços –o que leva a uma percepção de que a inflação está mais acentuada.

"Quando a gente passar por dezembro e olhar o que foi o ano de 2025, provavelmente as famílias de renda mais alta vão estar com uma inflação maior”, afirma Lameiras.

O ESTUDO

O estudo do Ipea que mede a inflação por faixa de rendimento divide as famílias em seis grupos conforme os respectivos ganhos mensais. São eles: renda muito baixa, baixa, média-baixa, média, média-alta e alta.

A partir dessa divisão, o instituto calcula a variação dos preços para cada estrato, considerando os bens e serviços mais consumidos em cada um deles.

Os alimentos pesam mais no orçamento dos mais pobres, ao passo que os serviços impactam mais a cesta dos brasileiros com rendimentos mais elevados.

OS DADOS

Na passagem de maio para junho, a inflação perdeu força para as três faixas da população que ganham menos, segundo o Ipea.

Os preços da alimentação no domicílio mostraram queda de 0,43% em junho, após nove meses consecutivos em alta.

No caso da camada de renda média-alta, a inflação ganhou força, passando de 0,21% em maio para 0,27% em junho. O índice também acelerou para a faixa de rendimento alto, de 0,08% para 0,28%.

A população ganha renda com o bom momento do mercado de trabalho. Isso faz com que as empresas possam reajustar os preços de serviços, ainda que os juros estejam em um patamar alto –a Selic está em 15%, caso tenha esquecido.

**A VACA TOSSIU**

Até pouco tempo atrás, era difícil imaginar um mercado de carnes brasileiro sem exportações em peso para os Estados Unidos. Hoje, essa realidade está cada vez mais próxima.

A imposição de tarifas extras pelo presidente Donald Trump já derruba a venda de carne bovina para os americanos –mesmo antes de entrar em vigor a sobretaxa de 50%, o que está previsto para 1º de agosto.

VÃO SENTIR SAUDADES

O Brasil é hoje o maior exportador de carne bovina para os EUA, seguido por Austrália, Nova Zelândia e Uruguai. Paralelamente, os americanos são o segundo maior destino da carne brasileira, só atrás da China.

As vendas de carne para os EUA seguiam em níveis recordes até o início deste ano.

De janeiro a junho de 2025, o Brasil exportou 181,5 mil toneladas de carne bovina para lá, com faturamento de US$ 1,04 bilhão (R$ 5,78 bilhões) no período.

O resultado representa um crescimento de 112,6% em volume e 102% em valor em relação ao mesmo período de 2024.

TORNIQUETE

Em abril, mês em que Trump passou a impor a taxação adicional de 10%, as exportações brasileiras de carne para os EUA chegaram a 47,8 mil toneladas.

Em menos de três meses, porém, o volume despencou: ele chega a 9,7 mil toneladas em julho, uma redução de 80% sobre as exportações de abril.

Enquanto isso… o preço da carne brasileira subiu para os americanos. Se em abril o valor médio pago pelo importador era de US$ 5.200 por tonelada de carne, esse preço passou para US$ 5.400 em maio e chegou a US$ 5.600 em junho.

Faca de dois gumes… assim podemos definir a exportação de commodities. Em uma briga de preços, o mais barato sempre ganha. Neste caso, isso é ruim para o Brasil, uma vez que o produto do país vai encarecer com as tarifas.

Contudo, é mais fácil redirecionar a exportação desse tipo de mercadoria do que de setores especializados, por exemplo. Sempre há quem queira comprar carne mundo afora.

**COCA MAIS DOCE**

A pressão de Donald Trump sobre as empresas para fortalecer a produção em território americano pode fazer efeito.

A Coca-Cola anunciou que, no segundo semestre do ano, pretende lançar um produto que contenha açúcar de cana americana. Nesta terça-feira (22), o presidente americano comentou o assunto na rede social que criou, a Truth Social:

“Conversei com a Coca-Cola sobre o uso de açúcar de cana real no refrigerante nos Estados Unidos, e eles concordaram”, escreveu.

A fabricante de bebidas não confirmou a correlação entre o pedido do presidente e a decisão –o fato é que as duas coisas aconteceram.

MUDANDO A RECEITA

Hoje, a bebida açucarada mais famosa do mundo é feita nos EUA usando xarope de milho de alta frutose como adoçante. Em outros países, usa-se a sacarose extraída da cana.

O xarope se popularizou nos Estados Unidos nos anos 1970 graças aos subsídios federais concedidos aos produtores de milho e às altas tarifas sobre o açúcar de cana.

A medida pode agradar alguns americanos: há aqueles que preferem o sabor da cana e procuram refrigerantes fabricados no México, onde o açúcar dela é usado.

E o tarifaço? Tem tudo a ver com essa história. Em primeiro lugar, Trump prometeu vantagens a empresas que nacionalizassem suas cadeias produtivas. A Coca-Cola pode tentar tirar uma casquinha desse pensamento do presidente.

O país tem uma produção relevante de cana-de-açúcar, que ajuda a atender uma demanda interna, mas não é suficiente para uma forte exportação. Mesmo assim, importam a commodity do México, do Brasil e de países centro-americanos.

Fato curioso: Donald Trump é famosamente entusiasta da Coca-Cola Light, que nos Estados Unidos leva o adoçante aspartame.

**RUMO AO DIVÓRCIO**

Quando você tira um tempo para organizar o armário, não encontra várias lembranças do passado? Fotos, cartas, brinquedos, roupas que não são mais usadas… e, de repente, se pergunta: “por que isso tudo ficou esquecido aqui?”.

A Kraft Heinz está passando por esse momento. Arrependida da fusão realizada há dez anos, a empresa pensa na cisão e na ressurreição de marcas que ficaram para trás depois da união.

COMO ASSIM?

A fabricante americana de alimentos está estudando a possibilidade de dividir grande parte de seus negócios –melhor dizendo, está querendo isolar produtos da antiga Kraft em uma nova empresa.

O novo CNPJ poderia ser avaliado em até US$ 20 bilhões (R$ 111 bilhões), o que faria com que essa fosse a maior negociação no setor de bens de consumo do ano até agora.

CASAMENTO INFELIZ

Dá para dizer que a união entre as antigas Kraft e HJ Heinz –antes, dois corpos separados– não foi das mais frutíferas. As ações da fabricante perderam cerca de dois terços do valor desde que elas se fundiram em 2015.

Na época, o acordo foi apoiado pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, e pela 3G Capital, private equity brasileira.

Os objetivos principais eram o corte de custos das duas empresas e a expansão internacional das marcas.

Mas, anos depois, os custos continuam altos, as vendas estagnaram e os lucros caíram.

RUMO AO DIVÓRCIO

Os consumidores dos EUA estão gastando menos em alimentos embalados de marcas famosas, cada vez mais caros, depois da pandemia. Ainda, movimentos críticos a alimentos ultraprocessados ganham força entre os americanos –o que não ajuda a empresa alimentícia.

A 3G zerou a sua participação na companhia, enquanto a Berkshire Hathaway continua como a principal acionista, ainda que os executivos dela tenham deixado o conselho da fabricante –depois que perderam a fé no negócio.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISOU FAZER**

Sentiu a pressão. Preocupado com o crescimento da Shopee no setor de e-commerce, o Mercado Livre vai oferecer R$ 40 milhões em cupons para o Dia dos Pais.

Amigos de novo. Trump afirmou nesta terça-feira que chegou a um acordo com o Japão –as taxas de importação dos produtos japoneses para os EUA caem de 24% para 15%.

Atenção, donos de Peugeots. A Stellantis anunciou o recall de modelos 208 e 2008 por risco de incêndio.

Reclamando Aqui. Depois de um boom de reclamações na internet, a Centauro virou alvo de investigação pelo Ministério Público.


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O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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