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Vitória da Zona Franca? Que vitória ? É cedo para comemorar


Por Raimundo de Holanda

06/05/2022 19h38 — em
Bastidores da Política



A suspensão dos decretos do governo federal que reduziram as alíquotas do imposto de importação para produtos  fabricados na Zona Franca de Manaus ainda não é uma vitória. É apenas uma fase de um processo no Supremo Tribunal Federal, que pode ter desdobramentos. A decisão final (?) caberá ao Plenário da Corte. As comemorações são precipitadas. É um ganho de pirro,  que tensiona as relações já debilitadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o Palácio do Planalto.

Ainda que o plenário do STF vote para manter a decisão de Moraes, que é cautelar, de precaução, o modelo continuará no canto do ringue, sob forte  ataque de Bolsonaro. Não faltarão cruzados e ganchos que desidratarão a indústria de Manaus. Serão sete meses de agonia até o final do mandato do presidente.

O fato de as demandas do Amazonas, especialmente a Ação Direta de Inconstitucionalidade terem caído nas mãos do ministro Alexandre  de Moraes não foi um fator sorte. Foi azar mesmo.  Moraes está em franco embate com o presidente e isso, invés de ajudar, transforma a Zona Franca de Manaus em mais um instrumento de uma batalha na qual todo o Brasil está perdendo.

Virão outros ataques, revertidos no Supremo. Mas essas tentativas de Bolsonaro de minar a indústria de Manaus vai contribuir para a desmobilização das empresas, para a perda de empregos e arrecadação.

Bolsonaro bate na Zona Franca para atingir adversários políticos, e não vê o eleitorado do Estado do Amazonas numericamente fundamental em uma eleição para presidente. Afinal, 1,9 % do total  dos eleitores do País significa  alguma coisa  em confronto no qual os candidatos praticamente caminham empatados. Não no caso da disputa deste ano, na qual Bolsonaro pensa em tudo, menos em voto. Pensa em golpe.



Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.