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A reação tardia da OAB

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Por Coluna do Holanda
23/02/2026 às 23h22 — em Coluna do Holanda
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O Supremo Tribunal Federal abriu, em março de 2019, o chamado inquérito das fake news. Quase sete anos depois, a investigação continua em curso, sem denúncia apresentada e com novos fatos sendo incorporados ao seu escopo ao longo do tempo. Desde janeiro de 2022, já sob a presidência do amazonense Beto Simonetti no Conselho Federal da OAB, a entidade acompanhou de perto essa tramitação prolongada. Só agora, no entanto, decidiu se manifestar formalmente, pedindo providências quanto à duração do procedimento. A iniciativa é bem-vinda. Mas chega tarde.

Durante boa parte do atual mandato de Simonetti, a investigação deixou de ser tratada como uma resposta emergencial a uma crise específica e passou a funcionar, na prática, como um mecanismo permanente. Ao longo desse período, cresceu entre advogados de diferentes estados o desconforto com a ausência de prazo definido e com a ampliação contínua do objeto investigado. Seccionais estaduais passaram a cobrar uma posição mais clara da direção nacional da Ordem — e foi somente após essa movimentação interna que veio o ofício enviado ao STF no dia de hoje.

Não houve pressão externa indevida, nem ingerência política. O que houve foi pressão institucional legítima da própria advocacia, por meio de suas representações regionais. Em outras palavras: a OAB falou porque foi provocada a falar por quem representa. E esse detalhe importa.

A Ordem dos Advogados do Brasil sempre ocupou, na história recente do país, o papel de mediadora entre a sociedade e o poder. Espera-se dela não apenas reação a problemas já instalados, mas atuação antecipada diante de riscos que possam se consolidar com o tempo. Quando a manifestação institucional vem apenas depois que o incômodo se generaliza na base, a impressão que fica é a de correção de rota — e não de liderança.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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