O espírito de vingança do PT e o 'retorno à cena do crime'
A “desnomeação” de Edmar Camata para a chefia da Polícia Rodoviária Federal, com a justificativa de que apoiou entusiasticamente a "Operação Lava Jato" desconstrói o discurso de Lula, após vitória nas urnas, de que governará a partir de 1o de janeiro para todos os brasileiros.
Poucos foram os que não apoiaram a "Operação", que entre 2014 e 2018 colocou na cadeia centenas de empresários e políticos que se apropriaram dos cofres públicos. A indignação era geral. O próprio Lula foi preso.
Os caciques dos partidos que compuseram com Lula nas eleições deste ano também apoiaram a "Lava Jato" e silenciaram durante a sua prisão. Se for para governar para os que se manifestaram contra a "Operação", no melhor momento da sua história, então Lula só pode contar com o PT.
Mesmo considerando que havia uma relação muito próxima e não republicana entre o juiz e o Ministério Público, revelada por um hacker que invadiu o grupo mantido por procuradores no Telegram, a "Operação" expôs um tumor e o implodiu. O que não contava é que havia um processo de metástase em andamento, que criaria outros tumores, despertando a direita radical, enquanto o sistema de justiça regredia.
Há um claro sentimento de vingança no PT - não apenas pela “desnomeação” de Camata, mas também pelas ações movidas na justiça eleitoral do Paraná para cassar o mandato do senador eleito e ex- juiz da "Lava Jato", Sérgio Moro.
O tempo da caça ao caçador começou. Mas a história muda todos os dias.
O próprio Vice-Presidente eleito, Geraldo Alckmin, denunciado pela Lava Jato, fez uma declaração polêmica em 2018, quando disputou a presidência da República : “Não existe a menor chance de aliança com o PT. Vou disputar o segundo turno para recuperar os empregos que eles destruíram, saqueando o Brasil. Jamais terão o meu apoio para voltar à cena do crime”.
Geraldo obteve apenas 4,76% dos votos, um triste quarto lugar. Mas a história muda. E a cena do crime...
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.