Negacionismo e crença religiosa por trás do aumento de casos de Covid no Amazonas
Autoridades de saúde avaliam com preocupação o aumento dos casos de Covid no Estado do Amazonas. Os dados de novembro (2.138 diagnósticos e 32 óbitos) e dezembro, até o dia 25 (3.324 casos registrados e 27 mortes) apontam para um cenário previsível: internações e mortes.
A grande maioria dos infectados não tomou vacina. A motivação é politica (e religiosa na maioria dos casos).
Essa é uma barreira difícil de ser vencida. Religião e politica, quando se misturam - no caso presente há claramente essa mistura - a ciência é negada, as instituições são cooptadas e a consequência é o caos.
Os governos estadual e municipal fazem o papel que se espera deles. Uma das últimas medidas foi o cancelamento dos shows da passagem de ano na Ponta Negra. Por trás da iniciativa a preocupação de que as aglomerações acelerassem o inicio de uma previsível terceira onda de Covid. No lado do governo do Estado, hospitais estão sendo preparados.
O pico pode ser fevereiro ou março, caso os grupos que resistem a vacina não sejam convencidos de que o imunizante é o único instrumento disponível para conter a pandemia.
A grande besta - que alguns evangélicos pentecostais temem, numa interpretação equivocada do Livro do Apocalipse - não é a vacina. São os políticos negacionistas e lideres religiosos que fazem de conta que não sabem interpretar o que lêem. São pastores que levam seu rebanho para a morte.
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.