‘Ministro Barroso falou a linguagem que o povo entende’, Mané!
Elizabeth Menezes é uma jornalista das antigas. Uma das melhores do meu tempo. Ontem, ela fez uma dura critica à coluna, defendendo a atitude do ministro Luiz Roberto Barroso e sua polêmica resposta: “Perdeu, mané”, para um bolsonarista que exigia a divulgação do código fonte das urnas eletrônicas. Beth, sempre muito verdadeira, disse o que quis. Veja:
”Holanda, o Barroso é muito paciente, isso sim. Na verdade, ele usou a expressão que esse povo entende bem. Ele e os outros foram chamados de vagabundos, filho da puta - assim mesmo, por extenso. E tudo gravado, postado nas tais redes sociais, com milhões de visualizações. Porque os bonitinhos sabem como fazer isso.
Bom, os ministros têm a opção de não botar a cara fora de casa e deixar as ruas apenas para esses patriotas, né? Já o Bozo sumiu e ficou por isso mesmo. Fosse um empregado já estaria no rumo da demissão por justa causa.”
Beth sempre foi assim, sincera, lúcida, inteligente, verdadeira. Quando não gosta de um texto, reage. Às vezes, vai além do limite necessário.
Minha resposta para ela foi: “Beth, não sou bolsonarista e nem apoio os excessos do bolsonarismo, mas acho que o lugar de ministro do Supremo não é estar na mídia. Aliás, sou contra até mesmo transmissão de sessões do Supremo pela televisão, porque aquilo é um show de exibicionismo. Ministro de um País sério toma decisões e pronto, não se expõe como eles se expõem. Há muita vaidade. Quem não percebe isso é cego.
Beth, Esse país está virando de cabeça para baixo. Foi a resposta...
Conheço Beth, é uma pessoa difícil de convencer a mudar de opinião, mas é parte de um grupo raro de brasileiros que sabem discutir com civilidade.
Para finalizar, quero me dirigir a você que lê a coluna, embora discordando, como Beth, de muitas das opiniões aqui emitidas.
O problema do Brasil é o fato de ninguém saber lidar com a democracia. De não saber dosar os excessos inerentes a esse sistema de governo sem usar de mecanismos autoritários. Mas o bom disso é que acabou a ilusão de que “democracia é o governo do povo pelo povo e para o povo”. Não sabemos lidar com a democracia. E o risco de perdê-la, reside aí.
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.