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Manaus é bela, agressiva e também feia e desafiadora


Por Raimundo de Holanda

10/12/2023 20h34 — em
Bastidores da Política


  • Há duas Manaus: a dos arranha-céus, dos condomínios dos bacanas e a grande favela no seu entorno. Ilha de pobreza onde reside 70% de sua população.

Não é fácil transitar em Manaus. São mais de 600 mil veículos circulando  e vias completamente congestionadas. Os viadutos construídos conduzem os motoristas para um encontro com o caos. A falta de planejamento  nessas construções é evidente. 

Se a intenção de administrações passadas era deixar um legado para a cidade, produziram o mundo cão que conhecemos: brigas no trânsito, motoristas estressados com engarrafamentos infindáveis, horas perdidas entre a casa e o emprego, entre a escola e a academia.

Quem não tem carro não conta com transporte público efetivo. O saneamento é entregue a uma empresa privada que cobra pelo serviço de esgoto que não oferece. A coleta de lixo, embora eficiente, está com a iniciativa privada e custa caro ao contribuinte. 

Pior, há duas Manaus:  a dos arranha-céus,  dos condomínios dos bacanas e a da grande favela no seu entorno. Ilhas de pobreza onde reside 70% de sua população.  

É essa Manaus, sequestrada pelas facções, de onde saem os votos, em parte negociados com o líder da facção dominante. 

É essa Manaus esquecida que precisa ser resgatada e devolvida a cidadania aos seus habitantes.

É essa Manaus,  que produz esperança e crime, que não pode ser ignorada pelos candidatos a prefeito. Ela precisa estar nas propostas de campanha, com clara defesa dos direitos de seus moradores e um desafio às facções criminosas que se apossaram de seu território. 

Mas esse não é um dever apenas de eventuais candidatos, inclusive a vereadores. Os órgãos de controle precisam estar atentos. O candidato que receber uma salvo conduto das facções para entrar nesses bairros deve ser denunciado e excluído do processo eleitoral. Ou há essa ação ou Manaus, como sonhamos, não terá futuro

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ASSUNTOS: eleições 2024, Manaus

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.