A política de proteção aos povos indígenas no Brasil sempre resultou em desastres, como o que vem ocorrendo na área Yanomami, no Amazonas e Roraima. Não é um fato novo, mas vem sendo usado politicamente pelo atual governo. Fala-se equivocadamente e maliciosamente em genocídio - extermínio de grupo étnico - e holocausto - o que no geral é a mesma coisa, mas termos fora de contexto na abordagem da crise de saúde e desnutrição envolvendo os indígenas.
O que está por trás disso não é apenas um governo omisso, dissociado dos problemas reais do País. Estão organizações religiosas que sabiam do abandono dos Yanomami e calaram. A omissão foi geral.
Mas o que se tira desse episódio lamentável é que os indígenas, tutelados pelo Estado brasileiro, são prisioneiros em suas próprias terras. O índio, para ser dono da terra e desfrutar dos recursos existentes - minérios, madeira, caça, pesca, plantas medicinais, precisa ser livre.
O Estado brasileiro tem sido incompetente para provir seus cidadãos “livres”, imaginem comunidades para as quais são atribuídos direitos com base em um estatuto de 1973, que frustra a evolução dos povos originários e sua inserção na vida econômica e política do País.
É hora de tornar as comunidades indígenas próperas. Prepará-las para esse novo tempo. Restaurar a dignidade do índio na medida em que ele compreenda que está assentado em áreas riquíssimas e que deve, por direito, usufruir dessa riqueza.
Preservar a cultura dessas comunidades é importante, mas não segregando-as.
O mundo mudou. O Brasil tem que mudar. Os índios não podem continuar à margem dessa evolução, com fome, frio e medo, enquanto entidades religiosas, Ongs, garimpeiros, empresários inescrupulosos e políticos se apropriam de suas riquezas.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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