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A difícil missão do conselheiro tutelar em áreas dominadas pelo crime


Por Raimundo de Holanda

28/09/2023 21h04 — em
Bastidores da Política


  • O Brasil é o País das eleições, nem por isso é democrático na sua essência

Veja-se o caso das crianças e adolescentes, com estatuto legal definido e com uma figura que em tese garantiria  para além da tutela enviesada de um estado leniente com a violência, uma proteção eficaz e permanente: o conselheiro tutelar. 

Eleitos em zonas da cidade de Manaus ocupadas  pelas organizações criminosas, os conselheiros não desempenham seu papel plenamente. Ou compõem com o xerife da área ou cumprem o mandato de forma protocolar.

Basta ver o registro de maus tratos contra crianças este ano. Dados da SSP-Am até julho  revelam  um quadro vergonhoso e desolador: 363; estupros(32), prostituição de crianças (27), tortura 10 e lascívia, 11. Isso, casos registrados.

De certo modo metade disso ou mais é camuflado e foge as estatísticas. Quem vive no anonimato dos becos e favelas, sob domínio do tráfico de drogas, pode contar essas história. 

Como mudar essa realidade ? Os conselhos tutelares seriam o melhor instrumento, mas falta estrutura, mecanismos de apoio que são inexistentes. 

A eleição deste domingo de conselheiros tutelares em voto secreto da população em várias zonas da cidade é uma festa.  Ou deveria ser, mas como os alvos são crianças e adolescentes de áreas dominadas pelo crime organizado, resta esperar que, mesmo numa situação de inevitável hostilidade consigam  resistir  ao  assédio das organizações criminosas.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.