Bastidores da Política - Depoimento de Hang acende o alerta: CPI é alvo de ações bem orquestradas que visam desacreditá-la


Depoimento de Hang acende o alerta: CPI é alvo de ações bem orquestradas que visam desacreditá-la

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

29/09/2021 18h28 — em Bastidores da Política

Esperar mais tempo para apresentar seu relatório e pedir o indiciamento dos que lucraram com a pandemia, é permitir a reversão de fatos por narrativas que predominam fortemente nas redes sociais, onde os Luciano Hangs arrebatam mais e mais seguidores. Dar espaço ao negacionismo é um erro.

Até meados de agosto a CPI da Covid ouviu dezenas de pessoas e coletou provas de experiências mal sucedidas que  contribuíram para milhares de mortes e sequelados durante a pandemia.  As sessões da comissão batiam recorde de audiência. Era uma exposição necessária e não eleitoreira. Mas agora é preciso ir aos fatos, denunciar quem fez da pandemia um negócio,  vendendo, distribuindo, aplicando e exportando para outros países  cloroquina, ivermectina, azitromicina e proxalutamida, remédios que não  preveniam, não curavam e contribuíram para mortes relacionadas ao coração e ao fígado.

Além das quase 600 mil mortes comprovadamente provocadas pelo vírus e que poderiam ter sido em grande parte evitadas, cabia, durante esse tempo tomado pela  CPI,  uma investigação sobre o número de sequelados, menos em razão da letalidade do vírus e mais em consequência de efeitos colaterais das drogas aplicadas indiscriminadamente.

O curioso é a CPI do Senado estar deixando passar em branco experiências feitas no Amazonas, especialmente Manaus e Itacoatiara, onde o morticínio foi maior.

Mas o relatório agora é necessário. Primeiro, porque aos poucos a população vai esquecendo dos crimes praticados por lobistas e charlatões que insistem em exercer a medicina; segundo, porque a chegada da vacina coloca essa discussão no passado. Mas um passado que precisa, para a história, que esses criminosos sejam denunciados e punidos.

Esperar mais, como está fazendo a CPI, é permitir a reversão de fatos por narrativas que predominam fortemente nas redes sociais, onde os Luciano Hangs arrebatam mais e mais seguidores. Dar espaço ao negacionismo é um erro.

Muitos dizem que a CPI tornou-se um palanque eleitoral. Mas se isso é verdade - e acredito sinceramente que não é - quem está levando vantagem são os Lucianos Hangs da vida e outros que ainda deverão aparecer, com depoimentos cínicos, tirando os senadores do sério e tornando a CPI um ambiente  tóxico, inclusive para os telespectadores.

A hora de parar, apresentar o relatório e fazer as denúncias é essa. O depois pende perigosamente para o negacionismo…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.