Bastidores da Política - Dança sensual, 'escândalo' e preconceito em escola do Amazonas


Dança sensual, 'escândalo' e preconceito em escola do Amazonas

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

24/08/2021 19h11 — em Bastidores da Política

Em uma explosão de hormônios alunas de uma escola pública de Manaus embalaram seus corpos ao som do funk. Se alguém cochilou para o breve dobrar de glúteos ainda em formação  - eram todas meninas - a Seduc - Secretaria de Educação do Estado do Amazonas, está atrás. Talvez um segurança desatento, um professor liberal demais, a ausência de direção. Talvez todos eles, talvez nenhum  deles. Os jovens são assim mesmo.

"Por que uma escola permite isso?" "Viu a aglomeração?" "Estavam sem máscaras." Foram algumas das criticas ouvidas nesta terça-feira.

Fora a questão ligada a protocolos, que a escola deveria seguir, o que  temos que entender é que o mundo mudou e o "escândalo" que o vídeo  provocou é produto de nosso atraso e de um preconceito que precisa ser superado.

A própria Secretaria de Educação deveria estar atrás da motivação. Do aspecto positivo de exercitar a música e a dança, independentemente do seu estilo.  A escola pode ser o instrumento vetor desse novo tempo.

Submetidas a longo isolamento em razão da pandemia de Covid 19, as crianças retornaram ansiosamente ás aulas presenciais. Conscientemente ou não, vêem a escola não apenas como centro de conhecimento, mas  um espaço de liberdade, onde compromisso, motivação e alegria se encontram e formam o saber.

Nosso atraso, como sociedade, é terrível. Se não evoluirmos, a escola não evoluirá, nem nossos filhos aprenderão. O conhecimento não está apenas na escola, está fora também e entra na escola como música e entretenimento.

Sei que muita gente não concorda, mas se concordasse não haveria necessidade de abordar o tema. Teríamos evoluído, como sociedade…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.