Obras de artista Yanomami estão em exposição no Masp, em São Paulo
Uma exposição que reúne 93 desenhos expressando de forma sensível os detalhes da cosmovisão yanomami, os seres visíveis e invisíveis com quem os indígenas dividem a floresta e a luta cotidiana desse povo para preservar sua identidade diante das ameaças do garimpo ilegal, começa hoje (29) e ficam até 30 de outubro no Museu de Arte de São Paulo (Masp), do artista Joseca Yanomami.
Denominada “Nossa terra-floresta”, a arte de Joseca traz sonhos, espíritos-xapiri, animais, o cotidiano do povo que segura o céu, meses depois da demarcação da Terra Indígena Yanomami ser homologada. Nesse momento, o povo luta contra a invasão de garimpeiros ilegais.
“Desenho os parentes, os animais, árvores, os passarinhos, araras, macacos, antas, peixes”, disse Joseca, cujos desenhos estavam sob a guarda do Instituto Socioambiental (ISA) e foram comprados de Joseca e doados ao Masp.
Joseca nasceu na década de 1970, na região do Demini, Terra Indígena Yanomami, e começou a desenhar e a esculpir animais notáveis em madeira no início dos anos 2000. Antes disso, ele havia sido o primeiro estudioso de línguas e professor da comunidade Watorikɨ, no início dos anos 1990 e também o primeiro Yanomami a trabalhar na área de saúde.
Desde 2003, as obras do artista são exibidas em importantes instituições de arte e ajudam a fortalecer a luta Yanomami e a divulgar os saberes dos indígenas para o Brasil e o mundo.
Além da exposição no Masp, seus desenhos podem ser vistos na mostra “Les Vivants, da Fundação Cartier, em Lille (França) e também na exposição “Rooted Beings”, no Wellcome Collection Museum, em Londres (Inglaterra).
A Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil, distribuída entre os estados de Roraima e Amazonas, mas está invadida por mais de 20 mil garimpeiros ilegais.
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