Amazonas reivindica criação da urna eletrônica e homenageia idealizador
Manaus/AM - Na primeira reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), realizada em Manaus nesta quinta-feira (20), autoridades defenderam o reconhecimento do estado como pioneiro na criação da urna eletrônica. O equipamento, semelhante ao utilizado pela Justiça Eleitoral desde 1996, foi desenvolvido pela Universidade de Tecnologia da Amazônia (Utam), hoje Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), e usado pela primeira vez em 1981.
Durante o evento, o professor Hugo Menezes, um dos idealizadores da urna, recebeu uma homenagem do governador Wilson Lima (União Brasil) em reconhecimento ao seu trabalho. Ele ainda destacou os desafios enfrentados pela equipe para a criação do protótipo. “Na época, não tínhamos todos os componentes disponíveis em Manaus. Eu mesmo viajei para São Paulo e fui à famosa rua Efigênio, onde se vendia muito material eletrônico. Adquiri o necessário e trouxe para Manaus”, relatou.
Hugo Menzes também explicou que a motivação por trás do projeto surgiu da demanda social e política por eleições mais seguras. “Eu era secretário da contagem de votos na primeira zona eleitoral e percebi desafios no processo de apuração. A chamada ‘urna prenha’ era uma das dificuldades enfrentadas. Então, pensamos em uma solução tecnológica para tornar o sistema mais seguro e eficiente”, afirmou Menezes.
O impacto do projeto foi tão grande que o então Ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, veio a Manaus conhecer a inovação. No entanto, a ideia ficou adormecida até a década de 1990, quando as urnas eletrônicas foram implementadas nas eleições municipais de 1996. Os equipamentos foram fabricados em Manaus pela empresa Procomp e, desde então, passaram por diversos aprimoramentos. Atualmente, continuam sendo produzidos na Zona Franca de Manaus pelas empresas Positivo e Borel.
A UEA, sucessora da Utam, é financiada com recursos do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM). Em 2024, a universidade recebeu R$ 840 milhões de investimentos oriundos da ZFM. A vice-presidente do TRE-AM, desembargadora Nélia Caminha, afirmou que desconhecia a origem da urna e ressaltou a importância de divulgar essa contribuição do Amazonas para a democracia brasileira.
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